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15 dias

Bolívia inicia campanha internacional para liberação de patentes de vacinas

14/04/2021 01h27

La Paz, 13 abr (EFE).- O governo da Bolívia lançou nesta terça-feira uma campanha internacional que visa, principalmente, a liberação de patentes de vacinas e medicamentos contra a covid-19.

A proposta foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores boliviano, Rogelio Mayta, durante encontro com diplomatas credenciados no país em La Paz.

Mayta disse que no mundo "existem dezenas de empresas farmacêuticas que podem fabricar vacinas, mas que não o fazem porque existe propriedade intelectual".

"Diante de uma situação de emergência grave para a humanidade, propomos que qualquer obstáculo seja superado e devemos liberar patentes para que as vacinas possam ser fabricadas em todas as partes do mundo", disse.

O ministro boliviano afirmou que, segundo os cientistas, pelo menos 70% da população mundial deve ser vacinada para travar efetivamente a propagação da doença, ou "novas variantes" continuarão aparecendo, e a pandemia continuará por anos.

A campanha boliviana também faz um apelo aos "países ricos que acumularam vacinas" para que entreguem "o que adquiriram em excesso" aos povos "que mais precisam".

De acordo com o chanceler, vários governos e empresas farmacêuticas estatais manifestaram o desejo de "liberar" sua propriedade intelectual.

A campanha já teve início em todas as representações diplomáticas que a Bolívia tem no mundo e também será levada aos fóruns internacionais dos quais o país participa.

A Bolívia também planeja iniciar ações junto às autoridades correspondentes para facilitar os processos de liberação de patentes, explicou o vice-ministro de Comércio Exterior e Integração, Benjamin Blanco.

O país acumula 283.084 casos e 12.469 mortes por covid-19 desde o início da pandemia, em março do ano passado.

Até o momento, foram aplicadas 447.417 doses de vacinas contra a doença no país - Sputnik V e as de Sinopharm e AstraZeneca/Oxford (Reino Unido), esta última obtida pelo mecanismo Covax, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governo boliviano assinou contratos para adquirir 5,2 milhões de doses da Sputnik V e mais 5 milhões da AstraZeneca/Oxford através do Instituto Serum, da Índia.

Durante o encontro, o embaixador da Espanha na Bolívia, Javier Gassó, destacou a iniciativa do país sul-americano, que "coincide plenamente com a posição que Madri vem defendendo de alguma forma nos fóruns multilaterais", a de considerar a saúde como "um bem público global".