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1 mês

Nova composição de órgão eleitoral ganha confiança dentro e fora da Venezuela

08/05/2021 04h34

Sabela Bello.

Caracas, 7 mai (EFE).- O novo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) ganhou confiança entre a comunidade internacional, que está otimista quanto à distribuição dos integrantes - três chavistas e dois opositores ao governo de Nicolás Maduro.

Os pronunciamentos feitos pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos representam uma mudança significativa na visão que ambos tinham do órgão eleitoral, que eles criticaram repetidamente em outras ocasiões por seus membros terem sido nomeados pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), e não pelo Parlamento, ou por sua própria composição.

Embora as grandes potências estejam otimistas quanto à CNE - e a maioria das opiniões emitidas, tanto internacionais quanto nacionais, sigam na mesma direção -, há também vozes discordantes, como no caso da Organização dos Estados Americanos (OEA), que mantém a mesma posição de rejeição que tinha com a composição anterior do órgão eleitoral.

Há também grupos que decidiram permanecer em silêncio sobre o assunto, sendo o caso mais marcante o do Grupo de Lima, cujo objetivo, desde a fundação, em 2017, é buscar uma solução pacífica para a crise na Venezuela.

O órgão multilateral, integrado por Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, está acostumado a emitir declarações críticas sobre qualquer movimento na esfera política que ocorra na Venezuela e que considere negativo.

ÂMBITO INTERNACIONAL.

A UE enfatizou que a nomeação da nova composição da CNE é "um primeiro passo" no caminho para um processo eleitoral "confiável, inclusivo e transparente" no país latino-americano, mas que continuará a avaliar o desenvolvimento e o desempenho dela, conforme disse o porta-voz principal do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS), Peter Stano, à Agência Efe.

"Este processo deve ser liderado pelos venezuelanos e deve incluir outros elementos que garantam um processo eleitoral confiável, inclusivo e transparente, como solicitado pelos próprios venezuelanos", algo com o qual os EUA concordam, pois apoiam "uma solução abrangente e negociada" para a crise na Venezuela, afirmou Stano.

A solução, segundo a secretária assistente interina do Departamento de Estado dos EUA para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Julie Chung, deve abordar todos os aspectos para criar as condições para "eleições livres e justas".

Em consonância com a UE, Chung afirmou que "cabe aos venezuelanos decidir se a nova CNE contribui para este fim", e mudanças devem ser seguidas, como a revogação das proibições de partidos, a liberação de presos políticos e o convite de observadores eleitorais internacionais confiáveis e um calendário eleitoral público".

Por sua vez, o governo da Espanha ressaltou que a nova CNE tem entre seus membros "personalidades da oposição democrática apoiadas por organizações da sociedade civil".

O Ministério das Relações Exteriores espanhol disse que "é um primeiro passo que ainda deve ser seguido por outras medidas necessárias para garantir a realização de eleições justas, confiáveis e transparentes", na mesma linha dos grandes blocos.

Do lado oposto está a OEA, que rejeita o órgão eleitoral, considerando que ele é votado em um Parlamento "ilegítimo" eleito em "eleições fraudulentas", o que, segundo a instituição, "vicia seus atos e decisões, incluindo a eleição dos membros da CNE".

Na mesma linha, o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, Bob Menéndez, e o senador democrata Dick Durbin, que rejeitou a eleição do órgão eleitoral, assumiram a mesma posição individualmente.

ÂMBITO NACIONAL.

Na Venezuela, a nova composição da CNE foi rejeitada pela ala da oposição liderada por Juan Guaidó, que já mostrava seu descontentamento mesmo antes da votação dos integrantes (conhecidos como reitores).

Entretanto, o proeminente líder opositor e suas vezes candidato presidencial Henrique Capriles, a nova CNE é "um primeiro passo indispensável" para abrir o caminho para a democracia e a reconstrução política na Venezuela.

A formação do órgão eleitoral também foi defendida pela principal associação patronal do país, a Fedecámaras, que considerou a composição como resultado de "meses de esforços" dos setores sociais e líderes políticos.

"Ter uma representação na CNE de importantes líderes de trajetória eleitoral", após 17 anos, é o "resultado de meses de esforços, reuniões" e comprometimento dos setores políticos e sociais para "alcançar condições legítimas nos processos eleitorais", concluiu a entidade empresarial.