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1 mês

Duque faz visita-relâmpago a Cali para abordar situação de segurança

10/05/2021 15h57

Bogotá, 10 mai (EFE).- O presidente da Colômbia, Ivan Duque, fez na madrugada desta segunda-feira uma visita-relâmpago a Cali, epicentro dos protestos que o país vive desde 28 de abril, e permaneceu ali por quatro horas para chefiar um conselho de segurança que abordou a situação na cidade.

Duque, que no domingo à noite disse que, "por prudência", havia decidido não viajar a Cali, chegou sem anúncio prévio para se encontrar com membros do seu governo, a governadora do departamento de Valle del Cauca, Clara Luz Roldan, e o prefeito da cidade, Jorge Ivan Ospina.

"Nossa mensagem e a minha presença aqui hoje são para que, como comandante supremo das forças militares e policiais, estejamos acompanhando todas as medidas para proteger a cidade de Cali", declarou Duque após a breve visita.

Sem ter se encontrado com nenhum dos manifestantes em Cali ou visitado as ruas, o presidente colombiano regressou horas depois a Bogotá, onde hoje se encontrará com sindicatos e organizações sociais que organizaram a paralisação de 28 de abril.

PEDIDO DE LEVANTAMENTO DE BLOQUEIOS.

Duque considerou que sua visita a Cali pretende deixar claro "que nossa função é que os cidadãos desta cidade e deste departamento possam estar amanhã em tranquilidade, possam recuperar sua tranquilidade".

Por esta razão, pediu novamente pelo fim dos bloqueios erguidos pelos manifestantes em várias partes da cidade para "permitir novamente a restauração da cadeia de abastecimento".

A visita aconteceu após 12 dias de protestos, com graves motins, saques e cenas brutais de violência policial, e depois que ontem vários supostos civis armados começaram a disparar contra uma marcha indígena na periferia da cidade, deixando dez indígenas feridos.

No domingo, vários congressistas e até membros do seu partido, o Centro Democrático, pediram a Duque para visitar a cidade, a terceira maior do país, para conhecer a situação de perto.

"Nossa responsabilidade não é agir com brutalidade ou insanidade, mas sim agir no marco de todas a competências e com estrito apego à proteção dos direitos humanos, para que a cidade tenha todas as garantias e evite confrontos dos cidadãos, ou o que é ainda pior, que haja cidadãos que procurem exercer o controle por suas próprias mãos", afirmou o presidente colombiano após a reunião.

Duque solicitou neste domingo, antes da sua viagem, "o maior destacamento em termos de capacidade da nossa força pública" em Cali, enquanto seu partido e seu padrinho político, o ex-presidente Álvaro Uribe, pediram diretamente pela "ocupação militar" da cidade.

O presidente colombiano, que não se encontrou com os jovens, que são os que mais mostram seus rostos nas ruas, disse-lhes que está consciente das suas necessidades e que estes devem ser priorizados.

Por esta razão, se disse disposto a abordar questões como a entrada gratuita nas universidades públicas, a participação dos jovens na política e questões relativas ao emprego.

"Esta mensagem é uma mensagem que esperamos que chegue para que, com estes espaços, fique claro que a juventude deve falar, deve participar, deve estar conectada, uma vez que suas propostas são as que nos permitem chegar a soluções rápidas e concretas", ressaltou.

MOBILIDADE DOS POVOS INDÍGENAS.

Após os acontecimentos vividos nas ruas no domingo à tarde com civis atirando abertamente e em plena luz do dia, Duque pediu repetidamente aos povos indígenas que deixassem as cidades onde apoiam os protestos e regressassem aos seus territórios.

"A restrição de mobilidade que foi ordenada não é contra os povos indígenas. É uma restrição que se estabelece para todas as pessoas no acesso ao departamento, dada a situação de ordem pública", reforçou o presidente colombiano.

As mobilizações começaram contra a já retirada proposta de reforma fiscal do governo, mas continuam contra uma tentativa de reforma sanitária, a brutalidade policial e a complexa situação de insegurança.

Cali é o cenário dos incidentes mais violentos, especialmente entre 30 de abril e 3 de maio, com episódios de brutalidade policial contra manifestantes que deixaram 35 mortos, de acordo com organizações sociais.