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1 mês

Ministério Público do Uruguai recebe "informação valiosa" sobre ditadura

11/05/2021 22h19

Montevidéu, 11 mai (EFE).- O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, e o ministro da Defesa, Javier García, entregaram nesta terça-feira ao Ministério Público e ao Instituto Nacional dos Direitos Humanos (INDDHH) documentação com "informação valiosa" relacionada com os atos de repressão cometidos antes e depois do golpe militar de 1973.

Seis livros e duas pastas - com 1.650 páginas que incluem, entre outras coisas, operações militares com pedidos de captura de pessoas, processos judiciais, informações sobre infiltrados e depoimentos de detidos - foram disponibilizados aos dois órgãos em formato digital depois de os documentos originais terem sido encontrados em um escritório militar.

Embora as primeiras informações indicassem que os documentos apareceram neste final de semana, García explicou que foram encontrados, por acaso, no último dia 23 de abril enquanto eram realizados trabalhos de manutenção na Unidade de Artilharia N.º 5, na zona norte de Montevidéu.

O ministro da Defesa também salientou a "gana por transparência e acesso à informação" do governo uruguaio e disse que, após a entrega da documentação ao Ministério Público e ao INDDHH, irá enviá-la esta tarde à organização Mães e Familiares de Uruguaios Detidos e Desaparecidos.

As operações militares citadas nos documentos encontrados cobrem o período desde 1972, um ano antes do início da ditadura civil-militar, até 1986, um ano após o restabelecimento da democracia, detalhou García.

Após a reunião realizada em Montevidéu, o procurador do Ministério Público, Jorge Diaz, disse aos repórteres que os documentos incluem "informações valiosas" sobre operações militares "dentro e mesmo fora do país" e que serão "uma contribuição substancial" para investigações posteriores.

"No pouco que pude ver, posso assegurar que existe informação valiosa. Recebi uma cópia digital de um conjunto muito importante de documentos. Mal consegui olhar para ela, mas posso assegurar que, das três ou quatro coisas que vi, a informação é muito valiosa", ressaltou.

O Ministério Público irá revisar a informação nas próximas 48 horas para decidir se os documentos devem ser encaminhados apenas para a Procuradoria Especial para Crimes Contra a Humanidade ou para outro gabinete.

A ditadura civil-militar do Uruguai causou o desaparecimento de cerca de 200 pessoas e a morte de uma centena de presos políticos nas prisões do país.