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1 mês

ELN se mostra disposto a dialogar com governo colombiano, mas sem imposições

13/05/2021 18h13

Bogotá, 13 mai (EFE).- A guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou nesta quinta-feira que está disposta a retomar as paralisadas negociações de paz com o governo da Colômbia, mas reforçou que não aceita imposições ou condições unilaterais sobre as quais não há acordo.

"O presidente Ivan Duque deveria deixar de se iludir. Se quiser falar com o ELN, será um prazer atendê-lo, mas sem imposições. É algo elementar que todos sabem", disse em uma carta o Comando Central da guerrilha.

O governo colombiano confirmou no domingo passado que continua a procurar condições para retomar os diálogos com o ELN, sem que até agora o grupo armado tenha feito progressos no cumprimento das condições impostas pelo presidente Duque, como a cessação dos sequestros, a entrega de todos os reféns e o fim de atos criminosos.

Por sua parte, o Alto Comissário para a Paz da Colômbia, Miguel Ceballos, informou que "articulou um espaço indireto de aproximação e exploração", no qual o Vaticano e a ONU participaram, embora nenhuma das atividades tenha envolvido diálogo direto entre membros do ELN e representantes do governo.

Ceballos disse que, com o aval da Igreja Católica, das Nações Unidas e da Missão de Apoio ao Processo de Paz da Organização dos Estados Americanos (OEA), a Colômbia verificou nos últimos 17 meses "a verdadeira vontade de paz e reintegração na vida civil" dos guerrilheiros.

A DISPOSIÇÃO AO DIÁLOGO É UMA "CORTINA DE FUMAÇA".

Durante o período exploratório, foram realizadas 28 reuniões, 22 delas na Nunciatura Apostólica em Bogotá e seis no Palácio de Nariño (sede do Executivo), assim como quatro viagens a Havana, em Cuba, onde uma delegação do ELN está instalada nos últimos dois anos, quando as conversas iniciadas com o governo anterior estagnaram.

Contudo, o ELN disse hoje que a disposição do governo é "essencialmente uma cortina de fumaça para esconder sua incapacidade de fazer avançar um diálogo com as comunidades que protestam (durante duas semanas nas ruas) para procurar soluções para suas necessidades".

"O governo Duque, através de Miguel Ceballos, enviou uma falsa mensagem que implica que está disposto a estabelecer diálogos com o ELN", destacou a guerrilha.

"Se o governo não for capaz de dialogar com a população mobilizada nas ruas, menos será de fazê-lo com o ELN em armas; de qualquer forma, nossa delegação está em Havana pronta para participar", acrescentou.

O ELN iniciou em fevereiro de 2017, em Quito, as negociações de paz com o governo do ex-presidente Juan Manuel Santos, que em maio de 2018 foram transferidas para Havana, onde a última rodada de diálogo terminou sem progressos no início de agosto daquele mesmo ano.

O presidente Duque condicionou a continuidade das conversas de paz ao fim dos sequestros e à libertação das pessoas que o grupo mantém cativas, o que os guerrilheiros se recusam a cumprir.