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1 mês

Com oposição vetada, Rússia marca eleições legislativas para 19 de setembro

19/06/2021 02h27

Moscou, 19 jun (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, marcou nesta sexta-feira para 19 de setembro o principal dia das eleições parlamentares para renovar a Câmara dos Deputados, dia em que também ocorrerão eleições regionais e nas quais a oposição extremista de Alexei Navalny está proibida de participar.

A partir de 17 de setembro e até o final do chamado dia de votação única, no dia 19, 450 deputados serão eleitos para a Câmara baixa, metade deles por listas partidárias e a outra por circunscrições majoritárias.

Além disso, serão eleitos 12 chefes de entidades federadas, dos quais nove serão determinados por sufrágio indireto, e 39 parlamentos regionais também serão renovados.

Duas semanas atrás, Putin promulgou uma polêmica lei dirigida contra a oposição mais radical ao Kremlin, que proibirá qualquer pessoa envolvida nas atividades de "organizações extremistas" de se candidatar a eleições em qualquer nível.

Esta medida afetará especialmente o movimento político de Navalny, classificado como ilegal na semana passada pela Justiça russa quando duas fundações ligadas a ele e sua rede regional de escritórios foram declaradas "extremistas".

Um jurista da equipe que defende as organizações Navalny disse à Agência Efe que a sentença não é definitiva até que a Suprema Corte se pronuncie.

No entanto, embora em teoria até então os aliados da oposição pudessem se candidatar às eleições, na prática a equipe de Navalny e seus advogados já presumem que estes não poderão concorrer em setembro.

O chefe da agora desmantelada rede regional de Navalny, Leonid Volkov, escreveu com ironia em seu relato no Telegram que Putin, antes de assinar o decreto para convocar as eleições hoje, "revisou a lista" de oponentes eliminados da cena política por meio de processos criminais, convocações judiciais, prisões domiciliares e detenções de parentes.

UMA LEI CONTRA NAVALNY E SEUS ASSOCIADOS.

A lei promulgada por Putin e que já é conhecida como "Lei Anti-FBK", em referência ao Fundo Anticorrupção de Navalny, proíbe as pessoas associadas às atividades de uma "organização extremista ou terrorista" de se candidatarem a eleições em nível municipal, regional e nacional.

A proibição será aplicada aos fundadores de tais organizações e àqueles que fizeram parte de sua liderança três anos antes da entrada em vigor da decisão do tribunal.

Dessa forma, essas pessoas não poderão ser eleitas por cinco anos a partir da data de entrada em vigor da sentença sobre a liquidação ou proibição de organizações extremistas.

A lei também veta membros e funcionários dessas organizações, que, caso tenham se envolvido um ano antes da decisão do tribunal, não poderão se candidatar por três anos.

Navalny, que segue preso, garante que a lei foi feita para impedir que seus candidatos participem das eleições de setembro e para impedir o apoio dos cidadãos ao "Voto Inteligente", uma campanha idealizada por ele que consiste em apoiar o candidato que tiver mais chances de derrotar o representante do partido governista Rússia Unida.

De acordo com as pesquisas, a intenção de voto do Rússia Unida está abaixo de 30% na Rússia e em cerca de 15% em Moscou, onde Navalny tem muitos apoiadores.

A ESTRATÉGIA NAVALNY.

Navalny, que nunca teve um partido político registrado, criou uma ampla rede regional de cargos e apoiadores para tirar assentos do Rússia Unida e promover candidatos independentes.

Em 2019, a estratégia deu certo, uma vez que a oposição conquistou 20 cadeiras das 45 da Assembleia Legislativa de Moscou, enquanto em 2020 sua equipe conquistou duas vitórias simbólicas: nas cidades siberianas de Tomsk e Novosibirsk, onde o Rússia Unida perdeu a maioria.

Segundo Volkov, a lei promulgada recentemente por Putin pode afetar mais de 200.000 pessoas que trabalharam ou colaboraram com a equipe de Navalny.

A Rússia anunciou no último dia 11 que emitiu um mandado de busca e captura para Ivan Zhdanov, diretor do agora proscrito FBK, o flagelo dos funcionários russos de alto escalão que enriqueceram de forma ilícita.