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1 mês

Juiz aceita que Keiko Fujimori continue livre, mas sem encontrar auxiliares

22/06/2021 01h18

Lima, 21 jun (EFE).- Um juiz negou nesta segunda-feira a volta da candidata presidencial Keiko Fujimori à prisão enquanto durar o processo aberto contra ela por crimes de corrupção, mas impôs severas restrições que a impedirão de se reunir com seus colaboradores mais próximos.

Víctor Zúñiga, magistrado do 4º Tribunal Nacional Preparatório Permanente de Investigação Especializada em Crime Organizado, declarou infundado o pedido do Ministério Público para que Keiko voltasse a ser presa, apesar de reconhecer que ela não cumpriu as normas de conduta que lhe foram impostas quando deixou a prisão em abril de 2020.

Segundo o juiz, nenhuma "advertência" judicial havia sido emitida oficialmente à candidato presidencial sobre esta questão, como exigido por lei.

Zúñiga também decretou que Keiko deve seguir "o estrito cumprimento de todas as medidas restritivas" que foram determinadas quando foi libertada da prisão e advertiu que, "se ela não o fizer, será novamente conduzida à prisão preventiva".

O magistrado destacou que as proibições incluem o contato com quaisquer testemunhas ligadas aos casos nos quais Keiko está sendo investigada, incluindo os advogados Miguel Torres e Lourdes Flores. Os dois estão entre os colaboradores mais próximos da candidata em sua luta pela anulação de mais de 200 mil votos nas eleições presidenciais de 6 de junho.

Keiko, que perdeu o pleito para Pedro Castillo por pouco mais de 40 mil votos, denunciou a existência de "fraude em locais de votação" e "irregularidades generalizadas" por parte de seu adversário, sem, no entanto, ter fornecido qualquer prova concreta de suas acusações.

Torres e Flores têm sido peças-chave em sua campanha para que a opinião pública e o Júri Nacional Eleitoral (JNE), principal órgão eleitoral do país, aceitem a tese desta "fraude".

MAIS DE 30 ANOS DE PRISÃO.

Em março, após mais de quatro anos de investigações, o Ministério Público peruano solicitou a abertura de um julgamento e uma sentença de 30 anos e 10 meses de prisão contra Keiko Fujimori pelos crimes de lavagem de dinheiro, crime organizado, obstrução à justiça e falso testemunho.

Ela já estava em prisão preventiva há mais de um ano (outubro de 2018 - novembro de 2019), conseguiu sair alguns meses após um recurso e depois retornou à prisão por mais cinco meses em 2020.

Em abril do ano passado, ela foi libertada sob medidas judiciais restritivas devido ao risco de contrair covid-19 que sua permanência na prisão implicava.

Somente uma vitória nas eleições presidenciais de 6 de abril impediria Keiko de ser julgada por esses crimes.

As autoridades eleitorais peruanas ainda não revisaram os pedidos de anulação da candidata antes de poderem declarar o vencedor do pleito.