PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

Inglaterra poderia evitar 23 mil mortes com confinamento uma semana antes

24/06/2021 04h15

Londres, 23 jun (EFE).- Cerca de 23 mil mortes poderiam ter sido evitadas na primeira onda de covid-19 caso o governo britânico tivesse decretado uma semana antes o primeiro confinamento na Inglaterra, que passou a valer em 23 de março de 2020, segundo um estudo do Imperial College de Londres.

A partir de um modelo matemático que simula a transmissão do coronavírus Sars-CoV-2, os autores do estudo, publicado na revista "Science Translational Medicine", avaliou o impacto que haveria caso as intervenções para frear os contágios fossem realizadas com antecipação ou atraso.

Entre 5 de março de 2020, quando a Inglaterra registrou a primeira morte por covid-19, até 1º de julho do mesmo ano morreram cerca de 48.600 pessoas.

Se o confinamento tivesse começado em 16 de março, o número teria sido reduzido a 25.600. Por outro lado, se o confinamento fosse atrasado até 30 de março, as mortes teriam disparado para 132.800, calculam os responsáveis pelo estudo.

"Uma intervenção mais cedo realmente é a chave para reduzir o número de mortes acumuladas", afirmou Marc Baguelin, um dos autores, em comunicado do Imperial College.

O jornal adverte ao mesmo tempo que a antecipação do primeiro confinamento poderia ter levado a uma "segunda onda maior", motivo pelo qual as medidas tomadas no outono também deveriam ter sido antecipadas.

Desde que a pandemia começou, houve 117 mortes de covid-19 a cada 100.000 habitantes na Inglaterra. Embora a taxa de mortalidade varie por região, os pesquisadores observam que os idosos que vivem em asilos foram particularmente afetados pelo vírus em todas as áreas.

As chances de um idoso morrer por causa do coronavírus eram três vezes maiores se estivesse em um lar de idosos, calcularam os autores do estudo, sublinhando que somente o confinamento rigoroso era capaz de inverter a transmissão do vírus.

O levantamento indica que no dia 2 de dezembro de 2020 a Inglaterra ainda estava longe de alcançar a "imunidade de rebanho", uma das metas estabelecidas pelo governo britânico no início da crise sanitária. A porcentagem da população com certa imunidade nessa data variava entre 22,5% em Londres e 7,9% no sudoeste de Inglaterra.

Os pesquisadores acreditam que a pandemia se propagou na capital britânica e no sudeste da Inglaterra cerca de duas semanas antes do que no resto do país, motivo pelo qual as medidas de confinamento chegaram a essas áreas quando a taxa de transmissão era comparativamente mais elevada.