PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

"Não sobrou nada", relatam sobreviventes de prédio que desabou em Miami

24/06/2021 22h57

Álvaro Blanco

Surfside (EUA), 24 jun (EFE).- "Não sobrou nada, desapareceu, foi apagado". É assim que a argentina Jacqueline Pakota descreve como ficou uma ala do prédio residencial que desabou parcialmente, onde ela possuía dois apartamentos e que deixou pelo menos uma vítima e um número desconhecido de moradores que ainda estão desaparecidos.

E não é à toa. Não sobrou quase nada desta parte do edifício à beira-mar em Surfside, uma pequena cidade vizinha de Miami Beach.

Do lado de fora, pode-se ver os destroços do que parecia ser uma sala de estar e duas filas de quartos, dos quais restam algumas cabeceiras, um beliche para crianças e um cobertor que ficou pendurado como uma triste bandeira.

Os ar-condicionados estão pendurados em suas respectivas tomadas sobre uma massa de ferro e toneladas de cimento que caíram deste prédio construído há 40 anos.

"É como se aquela ala (do prédio) nunca tivesse existido", disse Jacqueline Pakota, consternada porque alguns amigos dela, um casal argentino e sua filha de 6 anos, haviam se mudado ontem à noite para um de seus apartamentos, que foi "totalmente" destruído.

Era o 803, para onde haviam ido poucas horas antes. E como o deles, muitos outros neste prédio de 12 andares desabaram, que tinha apartamentos que variam de um a quatro quartos.

"Estou à espera de um milagre", disse a mulher, visivelmente afetada e cansada após procurar por seus amigos durante toda a noite nos hospitais e no centro para onde levaram os sobreviventes do desabamento e um hotel próximo que também foi evacuado por receio de que todo o edifício desabasse e pudesse afetá-lo.

"Ninguém sabe nada" sobre seus amigos, um cirurgião plástico e produtor de teatro e sua filha de 6 anos. Ela liga para seus telefones e um deles "toca mil vezes", mas ninguém responde: "Peço a Deus que as pessoas que estão sendo resgatadas, presas no edifício, estejam vivas".

O prefeito de Surfside, Charles Burkett, explicou durante entrevista coletiva que cães treinados trabalharam durante a noite para resgatar pessoas presas e que pelo menos 10 foram atendidas pela equipe médica no local e algumas encaminhadas para hospitais próximos.

TRAGÉDIA NA MADRUGADA

A argentina, presidente do gabinete de relações públicas da Calçada da Fama de Las Vegas, explicou que no outro apartamento que possui no local também tinha mais amigos como hóspedes, que lhe disseram que iam descer no elevador quando sentiram um forte estrondo.

Eles correram para fora do elevador e um deles foi atingido na cabeça por um dos escombros do prédio, que ligou para ela do hospital e avisou que o prédio estava desabando.

"Não houve tempo" para as pessoas saírem, disse a argentina, explicando que lhe informaram que a primeira coisa a desabar foram os apartamentos 01 e três minutos depois aqueles com o número 03, como o dela, e que a primeira coisa atingida foi a garagem e com ela toda a estrutura cedeu.

OBRAS EM EDIFÍCIO VIZINHO

Ela explicou que nos últimos dias esteve com os amigos na piscina do edifício e que sentiu uma "vibração hiper-forte", produto, imagina a argentina, de obras com maquinaria em um prédio vizinho.

Pensei que o chão fosse explodir, o prédio estava se movendo como se estivesse pulando com maquinaria.

O edifício, onde se realizavam as obras no telhado, apresentava alguns pequenos defeitos, mas, explica ela, não há nada que justifique que o prédio pudesse ter desabado desta forma.

A mesma opinião do prefeito, que disse não conseguir explicar esta "horrível catástrofe". "Nos Estados Unidos, os edifícios não desabam apenas", afirmou.

Enquanto prosseguem a busca e o resgate de possíveis vítimas, as autoridades agora pensam na segurança do prédio e o risco de seu desabamento total.