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1 mês

ONU cobra que México solucione caso de jornalista que teria sofrido torturas

29/07/2021 18h43

Cidade do México, 29 jul (EFE).- A ONU Mulheres e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ONU-DH) cobraram nesta quinta-feira o governo do México pela elucidação "das agressões contra a jornalista Lydia Cacho, torturada em 2005".

Após um tribunal do estado de Quintana Roo absolver o empresário José Kamel Nacif das acusações ser responsável pela violência contra a profissional de imprensa, as agências da ONU "lembram da obrigação das instituições do Estado mexicano de garantir uma investigação efetiva dos crimes e das violações aos direitos humanos.

Em dezembro de 2005, a jornalista foi detida por uma dezena de policiais, sem a apresentação de um mandado de prisão. Em seguida, ela foi levada de Cancún para Puebla, em um veículo que era propriedade de Nacif, empresário que atua no setor têxtil.

O acusado era um dos principais personagens do livro "Los demonios del Edén" (Os demônios do Eden), em que a jornalista denunciou uma rede de exploração sexual de menores de idade, envolvendo empresários ligados ao então governador de Puebla, Mario Marin.

"A impunidade no caso de Lydia Cacho não apenas afeta a jornalista e seus familiares, mas sim, favorece à repetição dos crimes e da violação dos direitos humanos, além de impactar negativamente todas as mulheres do México que exercem o jornalismo e a defesa dos direitos humanos", aponta comunicado.

As agências das Nações Unidas indicaram que o México deve cumprir com a sentença do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que determinou que o Estado mexicano violou o direito ao acesso a um recurso judicial efetivo, à igualdade e à não discriminação.

Além disso, a nota aponta que houve falhas relacionadas à proteção contra a tortura, à proteção da liberdade e segurança pessoais, além do respeito à liberdade de expressão.

"A atividade de jornalistas e pessoas que defendem os direitos humanos é essencial em uma sociedade democrática. O próprio trabalho da senhora Cacho demonstrou a importância do jornalismo", indicou a ONU.

O governo do México, já na presidência de Andrés Manuel López Obrador, pediu desculpas públicas pelo caso, no entanto, a própria profissional de imprensa e organizações de direitos civis denunciam que a impunidade persiste no país.

Hoje, questionado sobre o tema, o chefe de governo mexicano afirmou que pedirá que a Secretaria de Governo revise a absolvição de Nacif, pois acredita que "deve haver outras instâncias".

López Obrador, no entanto, admitiu que existem problemas na estrutura da justiça do México.

"É necessária uma reforma. Urge uma reforma no Poder Judiciário", disse o presidente do país.