PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

Oposição denuncia prisão de ex-Miss Nicarágua e candidata à vice-presidente

04/08/2021 16h46

Manágua, 4 ago (EFE).- A oposição Aliança dos Cidadãos pela Liberdade (CxL) denunciou nesta quarta-feira a prisão e desqualificação de sua candidata à vice-presidência da Nicarágua, a modelo Berenice Quezada, em meio a uma onda de prisões a três meses das eleições em que Daniel Ortega busca a reeleição.

Benerice Quezada "foi notificada em sua residência pelas autoridades judiciárias e pelo Ministério Público, acompanhados pela polícia, que a partir desse momento está em prisão domiciliar, sem acesso a telefone, com restrições de imigração e inibida de concorrer a cargos públicos", disse a CxL em um comunicado.

A jovem de 27 anos, eleita Miss Nicarágua 2017 e cuja candidatura havia sido oficialmente registrada na última segunda-feira, "está atualmente sob custódia policial em casa", acrescentou o grupo.

Por enquanto, as autoridades nicaraguenses não confirmaram nem negaram essa denúncia.

SANDINISTAS PEDIRAM SUA DESQUALIFICAÇÃO

Na véspera, um grupo de cidadãos que se identificam como "vítimas e familiares do golpe terrorista de 2018" pediu a desqualificação da candidatura de Quezada, por alegado pedido de desculpas de crime e incitamento ao ódio, perante a Procuradoria de Defesa dos Direitos Humanos do Governo (PDDH).

Segundo a denúncia, divulgada pelos meios de comunicação oficiais, a modelo incitou o ódio depois que sua aliança registrou seus candidatos a presidente e vice-presidente, deputados perante à Assembleia Nacional e ao Parlamento Centro-Americano (Parlacen).

Berenice disse aos jornalistas que "na Nicarágua as condições (eleitorais) nunca existiram" e que "as condições são estabelecidas pelo povo. E como eles as estabelecem? Saindo para votar".

Ela também fez um chamado para as eleições do dia 7 de novembro, com o objetivo de mostrar que a Nicarágua não quer "mais ditaduras", em referência ao governo de Daniel Ortega.

Disse ainda que, em sua opinião, os nicaraguenses se definiram politicamente após a revolta popular que eclodiu em abril de 2018 devido às polêmicas reformas da previdência e que posteriormente se transformou em pedido para renúncia do presidente Ortega.

"De 2018 até aqui, a Nicarágua traçou uma linha, cada um decidiu onde quer estar", afirmou.

O governo descreve esses distúrbios - que deixaram pelo menos 328 mortos, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) -, como uma tentativa de golpe.

MAIS DE 30 PRISÕES NOS ÚLTIMOS DOIS MESES

Berenice Quezada torna-se na primeira candidata oficialmente registrada para um cargo de eleição popular a ser presa pelas autoridades, que detiveram 32 pessoas desde o final de maio, incluindo sete pré-candidatos à presidência da oposição, enquanto outros dois deixaram o país para evitar evitar a detenção.

O sandinista Daniel Ortega, que voltou ao poder em 2007, disputará o quinto mandato, o quarto consecutivo, e o segundo com sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo.

Essas eleições serão fundamentais para Ortega, pois estarão em jogo 42 anos de domínio quase absoluto da política nicaraguense.