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Premiê haitiano demite procurador que pediu sua investigação no caso Moise

15/09/2021 04h21

Porto Príncipe, 14 set (EFE).- O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, anunciou nesta terça-feira a demissão do procurador Bel-Ford Claude, horas após ele ter pedido a um juiz que abrisse uma investigação sobre o chefe do governo como suspeito pelo assassinato do presidente Jovenel Moise.

Henry comunicou a demissão do procurador em carta datada de ontem, mas divulgada hoje pelo governo, em que a saída dele é justificada por suposta "má conduta administrativa grave" cometida por Claude.

O procurador pediu ao Tribunal de Primeira Instância de Porto Príncipe que investigasse Henry como acusado no caso do assassinato e que as autoridades migratórias o impeçam de sair do país.

As suspeitas do procurador em relação ao premiê se devem às conversas telefônicas que ele teria tido com um dos principais suspeitos do assassinato, Joseph Felix Basio, três horas após o crime, em 7 de julho.

O procurador afirma que os dados de geolocalização das chamadas, proporcionados pela operadora, situavam Badio na residência de Moise, no setor de Pélerin 5, em Porto Príncipe, no momento em que conversou com Henry.

Claude tem questionado o papel do primeiro-ministro no assassinato desde a semana passada, quando o convidou a esclarecer as chamadas controversas.

O julgamento está a cargo do juiz de instrução Garry Orélien, motivo pelo qual qualquer citação ou intimação de testemunhas cabe ao juiz, e não ao procurador.

Henry desqualificou a intimação do procurador no sábado passado, durante a cerimônia de assinatura de um acordo político, e hoje voltou a se referir a ela, mas de forma mais velada, assegurando que nada o distrairá, nem mesmo "ameaças" ou "ataques físicos".

"Nenhuma distração, nenhuma convocação ou convite, nenhuma manobra, nenhuma ameaça, nenhuma ação de retaguarda, nenhuma agressão me distrairá da minha missão", disse Henry no sábado passado.

As autoridades haitianas prenderam preventivamente 44 pessoas por suposto envolvimento no assassinato, incluindo os 18 mercenários colombianos acusados de fazer parte do comando que matou Moise. Neste grupo de detidos também estão 12 policiais que integravam a equipe de segurança do mandatário e não reagiram ao ataque.