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1 mês

Constituinte chileno depõe por fingir ter câncer

17/09/2021 03h30

Santiago (Chile), 16 set (EFE).- O constituinte chileno Rodrigo Rojas Vade, que durante meses fingiu ter câncer, se apresentou nesta quinta-feira para prestar depoimento em meio à investigação aberta contra ele por suposto perjúrio e depois de ter passado quase duas semanas sem aparecer em público.

"As hospitalizações existem, os sintomas existem e há diagnósticos onde há diferenças devido à complexidade dos sintomas e das doenças a serem tratadas", afirmou o advogado do constituinte, Tomás Ramírez, fora dos portões da Polícia Investigativa Chilena (PDI).

Rojas, popularmente conhecido como 'Pelao Vade' e que ganhou fama nas manifestações de 2019 por protestar com cartazes criativos contra os altos custos dos tratamentos de quimioterapia, admitiu no início de setembro que não sofre realmente de câncer. Ele havia baseado na doença toda a sua campanha para ser eleito integrante da Convenção Constituinte, que redigirá o documento que substituirá a Constituição escrita durante a ditadura de Augusto Pinochet.

Em sua confissão pública, Rojas esclareceu que sofre de outra patologia sobre a qual, segundo ele, existe um "grande estigma social" no Chile. A defesa revelou na última terça-feira ser sífilis, trombocitopenia purpura imune e doença de Behcet.

A própria convenção que redigiu o novo texto constitucional foi responsável pela renúncia da Rojas por supostamente mentir na declaração de interesses e bens exigidos aos constituintes, na qual ele alegou ter uma dívida de 27 milhões de pesos chilenos (R$ 182 mil) para financiar o tratamento do câncer.

Tanto a presidente como a vice-presidente sênior do órgão, Elisa Loncón e Jaime Bassa, respectivamente, prestaram depoimento na semana passada na condição de testemunhas.

A mentira de Rojas provocou críticas ferozes nas mídias sociais, e um número crescente de constituintes e figuras políticas estão pedindo sua saída da convenção, da qual foi um dos sete vice-presidentes.

O órgão, composto em grande parte por cidadãos independentes e progressistas, começou a redigir a nova Constituição do Chile em julho como a forma política de desarmar a crise social do país, a mais grave em seus 31 anos de democracia.