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Ministra holandesa renuncia após polêmica operação de retirada no Afeganistão

17/09/2021 03h37

Haia, 16 set (EFE).- A ministra das Relações Exteriores da Holanda e líder do partido progressista, Sigrid Kaag, renunciou ao cargo nesta quinta-feira após a maioria do parlamento holandês apoiar uma moção de desaprovação pelos atrasos na operação de retirada do Afeganistão.

A moção recebeu o apoio de 78 deputados - todos da oposição, além dos deputados da União Cristã, partidos da atual coalizão em exercício -, o mesmo apoio que a moção recebeu do ministro da Defesa, Ank Bijleveld, que foi também quem desaprovou sua gestão da retirada do Afeganistão, especialmente o desrespeito ao Congresso quando exigiu, na primavera (no hemisfério norte), que ela começasse com urgência a retirada dos cidadãos de Cabul.

Ao todo, 72 deputados votaram contra a moção de desaprovação, todos membros do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD) - do primeiro-ministro em exercício Mark Rutte -, Apelo Democrata-Cristão (CDA), e companheiros de partido de Kaag, do progressista Democratas 66 (D66).

"O Parlamento considera que o gabinete agiu de forma irresponsável. Não posso deixar de aceitar as consequências. Um ministro deve sair se sua política for rejeitada", disse Sigrid Kaag, anunciando que apresentará sua renúncia imediata ao rei Willem-Alexander.

Quando Rutte foi objeto de uma moção de desaprovação em abril, apoiada por toda a Câmara com exceção do grupo liberal, e que desaprovou sua tentativa de interferir em uma fase prematura de futuras negociações do governo, Kaag então disse que se ela fosse Rutte, "renunciaria" sem hesitar, promessa que cumpriu hoje.

No entanto, a ministra da Defesa já anunciou que permanecerá no cargo independentemente do resultado da votação da moção, porque a sua "prioridade continua a ser salvar os cidadãos que ainda estão presos no Afeganistão" e cujo número é de cerca de 20 afegãos que trabalharam para missões holandesas nas últimas duas décadas.

A renúncia de Sigrid Kaag, que lidera o segundo maior partido no Parlamento - e, portanto, um parceiro necessário de Rutte no futuro governo - chega em um momento sensível para as negociações governamentais, com o diálogo paralisado desde as eleições de março e com um governo de minoria como o única opção, dados os vetos ideológicos impostos por diferentes partidos.

A líder progressista já disse que sua renúncia ao cargo de ministra não afetará seu papel nas negociações para um futuro governo. "Esperamos formar um novo gabinete", disse ela, após anunciar sua renúncia.