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1 mês

Acusado de fingir câncer, membro da Assembleia Constituinte chilena renuncia

20/09/2021 22h17

Santiago (Chile), 20 set (EFE).- Rodrigo Rojas Vade, o integrante da Assembleia Constituinte do Chile denunciado por ter fingido sofrer de câncer, defendeu sua inocência nesta segunda-feira, mas afirmou que não voltará a ocupar seu posto no órgão encarregado de redigir a nova Constituição do país.

"Não voltarei a assistir, me conectar remotamente ou participar de nenhuam outra votação, independentemente do meu estado de saúde. O posto é importante demais para ser uma dificuldade no funcionamento (da entidade)", afirmou o integrante em vídeo no Instagram.

Rojas, popularmente conhecido como "Pelao Vade" e que ganhou fama nas manifestações de 2019 por protestar com cartazes chamativos contra os elevados custos dos tratamentos de quimioterapia, reconheceu no início de setembro que não sofre realmente de câncer, apesar de ter baseado a sua campanha para ser eleito constituinte em maio nessa doença.

Na sua confissão pública, esclareceu também que sofre de outra patologia sobre a qual existe um "grande estigma social" no Chile, uma condição médica que dias depois revelou ser sífilis, púrpura trombocitopênica idiopática e doença de Behcet.

A própria convenção que elabora o novo texto constitucional foi responsável por denunciar Rojas por supostamente ter mentido na declaração de interesses e bens exigida aos membros, na qual alegou ter uma dívida para financiar um tratamento contra o câncer.

RENÚNCIA SIMBÓLICA.

"Cometi erros muito graves, mas nenhum crime: a minha doença é real e o dinheiro que recebi em uma atividade solidária foi para pagar as dívidas adquiridas devido aos meus problemas médicos. Eu não sou um criminoso, sou alguém que cometeu um erro", disse Rojas.

A renúncia desta segunda-feira é simbólica porque não existe atualmente nenhum mecanismo para deixar a Constituinte, mas Rojas assegurou que "assim que existir" fará uso dele.

"Não trabalharei na Constituinte e apresentarei a minha demissão porque a nova Constituição deve refletir um país digno, onde aqueles que cometem erros os reconhecem e assumem as consequências", acrescentou.