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15 dias

Chinchilla vê Nicarágua perto de se tornar uma ditadura como a norte-coreana

24/09/2021 22h52

Nova York, 24 set (EFE).- A ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla fez nesta sexta-feira fortes críticas à falta de união entre os países da América Latina, alegando o silêncio em relação ao que está acontecendo na Nicarágua, onde, de acordo com ela, "uma ditadura no melhor estilo da Coreia do Norte está à beira de se consolidar".

Chinchilla disse que a América Latina, que está "em seu ponto mais baixo de regionalismo", enfrenta vários desafios, incluindo em termos de democracia.

"Estamos a apenas seis semanas da consolidação de uma ditadura no melhor estilo da Coreia do Norte na Nicarágua, no coração das Américas", disse durante o Fórum Global sobre América Latina e Caribe, realizado em Nova York e organizado pela Fundação Global Democracia e Desenvolvimento, presidida e fundada pelo ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández.

Os três fóruns realizados até agora pela organização ocorreram em meio à realização da Assembleia Geral das Nações Unidas.

A Nicarágua vai realizar eleições gerais para presidente e deputados em 7 de novembro em um panorama no qual o presidente Daniel Ortega busca mais uma reeleição e os principais candidatos da oposição estão presos ou inabilitados.

Ao falar sobre o atual cenário an Nicarágua, a ex-presidente costa-riquenha destacou uma falta de união latino-americana diante de diversos problemas apontados durante o fórum, inclusive pelos ex-presidentes Ricardo Lagos, do Chile, e Leonel Fernández, da República Dominicana.

Em seu discurso no fórum sobre solidariedade e cooperação regional, Chinchilla acrescentou que o que está acontecendo na América Latina "não é mais do que um mero reflexo das enormes dificuldades de agir coletivamente, porque coletivamente somos insignificantes".

"Cada vez que temos menos importância em muitas áreas a nível internacional, estamos cada vez nos tornando mais irrelevantes. Parece-me que isso confirma que temos cada vez menos importância em termos da nossa contribuição para a economia global", afirmou.

Ela garantiu que, caso se unissem, os países da região poderiam fortalecer a influência global e melhorar o acesso a vacinas e financiamento após a pandemia, como foi debatido durante o fórum, de dois dias de duração.

A ex-presidente da Costa Rica também advertiu que essa "consolidação da ditadura" na Nicarágua ocorrerá justamente quando a região comemora 20 anos de sua Carta Democrática "e em plena luz do dia".

Chinchilla referiu-se ao 20º aniversário da Carta Democrática Interamericana, documento aprovado em Lima no dia 11 de setembro de 2001 (dia dos atentados terroristas nos Estados Unidos), com o objetivo de defender este sistema político no continente, ratificado pelos países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).

"E isso acontecerá depois de três resoluções das Nações Unidas, resoluções do Conselho Permanente da Assembleia Geral, da OEA", lembrou.

"Veja como é dramático: nem mesmo a região planejou uma reunião hoje para se pronunciar sobre o assunto. Se tiver, será três dias depois de ocorrer a fraude que estamos vivenciando", argumentou.

Durante o primeiro dia do fórum, no Union League Club, em Manhattan, foi discutido o tema da democracia na região, tendo os analistas alertado sobre a tendência do surgimento de governos populistas e autocráticos.

Entre eles, Daniel Zovatto, diretor regional para a América e o Caribe do Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA International), partilhou seu ponto de vista, afirmando que a região vive um momento de profundas mudanças políticas, com vários de seus países sofrendo de erosão e deterioração democrática, e a ameaça do surgimento de novos regimes autoritários.

Ele afirmou que o maior risco é que este novo superciclo eleitoral, em consequência do complexo atual cenário econômico-social, inquietação cidadã e falta de confiança nas elites e partidos tradicionais, abra caminho para maior polarização, instabilidade e uma governabilidade cada vez mais complexa e que facilite a chegada ao poder de novos líderes populistas.