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Coreia do Norte endurece mensagem com 3º lançamento de mísseis em 9 dias

14/01/2022 17h45

Andrés Sánchez Braun.

Seul, 14 jan (EFE).- A Coreia do Norte lançou nesta sexta-feira seu terceiro míssil nos últimos nove dias, poucas horas depois de ameaçar responder "mais fortemente" às sanções dos Estados Unidos aprovadas nesta semana contra os norte-coreanos ligados ao programa de armamento do regime.

O desinteresse demonstrado durante meses por Pyongyang no diálogo, a vontade renovada dos EUA de endurecer as sanções e os três testes de armas norte-coreanos que aconteceram em pouco mais de uma semana trouxeram de volta ecos das tensões entre os dois países em 2017.

A escalada norte-coreana e o estilo heterodoxo do então presidente americano, Donald Trump, levaram a um carrossel de reuniões entre o próprio Trump e o líder do país asiático, Kim Jong-un, o que aliviou as tensões, embora tenham gerado um impasse nas negociações que persiste até hoje.

Entretanto, o futuro panorama diplomático na península coreana não parece estar na mesma direção, em uma época em que o país asiático permanece mais fechado em si mesmo do que nunca devido à pandemia de covid. O fato é que, desde janeiro de 2020, está com as fronteiras bem fechadas e não tem nenhum plano de vacinação em vista.

LANÇAMENTO A PARTIR DA FRONTEIRA COM A CHINA.

Em relação ao lançamento de hoje, o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS) disse em comunicado que foram detectados "dois projéteis que se acredita serem mísseis balísticos de curto alcance lançados perto de Uiju, na província de Pyonyan do Norte", perto da fronteira com a China.

Os mísseis foram disparados às 14h41 e 14h52 (horários locais; 2h41 e 2h41 de Brasília) na direção do Mar do Japão (chamado de Mar do Leste nas duas Coreias) e percorreram cerca de 430 quilômetros, alcançando uma altitude máxima de cerca de 36 quilômetros, de acordo com o JCS.

A inteligência militar de Coreia do Sul e EUA ainda analisa as "especificações detalhadas de ambos os projéteis".

Por sua vez, o governo do Japão disse que acredita se tratar de um único míssil balístico, enquanto a agência de notícias japonesa "Kyodo" informou, citando uma fonte do governo, que o míssil caiu no Mar do Japão, fora da zona econômica exclusiva do país (ZEE).

Em 5 e 11 de janeiro, o regime norte-coreano disparou o que alega serem mísseis hipersônicos, embora Seul e Tóquio, cujos sistemas de radar tiveram inicialmente problemas para estabelecer os padrões de voo destes projéteis, tenham insistido em suas análises que eram mísseis balísticos que mostram uma grande capacidade de manobra.

Seul insistiu que é capaz de "detectar e interceptar" estes projéteis e que Pyongyang - que afirma que com estes testes desenvolveu com sucesso a tecnologia hipersônica - ainda não possui o conhecimento ou a tecnologia para fabricar este tipo de armamento.

MOMENTO DELICADO.

Por sua vez, o Conselho Nacional de Segurança da Coréia do Sul (NSC) lamentou mais uma vez o teste do país vizinho e ressaltou que tais testes "não ajudam a estabilizar a situação" em um momento delicado, com os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim programados para começar em três semanas e com as eleições presidenciais na Coreia do Sul marcadas para daqui a dois meses.

O teste norte-coreano de hoje aconteceu horas depois de Pyongyang ameaçar responder de forma "mais forte e determinada" às novas sanções que os EUA aprovaram nesta semana contra cidadãos norte-coreanos acusados de fornecer materiais e tecnologia para o programa de armamento do regime a partir do exterior.

A embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, também declarou nesta semana que Washington está pressionando o Conselho de Segurança para impor sanções adicionais à Coreia do Norte como punição por todos os lançamentos que realizou desde setembro do ano passado.

O governo americano acredita que a Coreia do Norte utilizou mísseis balísticos nestes testes, em violação às resoluções de sanções anteriores aprovadas desde 2006 para punir o programa de armamento do país asiático.

Em uma mensagem transmitida no Dia de Ano Novo, o líder norte-coreano Kim Jong-un, de forma surpreendente, evitou enviar uma mensagem aos EUA e garantiu que a prioridade do regime é a economia doméstica e o fortalecimento da defesa nacional.

O próprio Kim, no ano passado, rejeitou as ofertas dos EUA para tentar retomar o diálogo sobre a desnuclearização, paralisado após a fracassada cúpula de Hanói com Trump, em 2019, argumentando que Washington mantém uma atitude "hostil" em relação a seu governo. EFE