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1 mês

Rodolfo Hernández, o inesperado "Trump tropical" da Colômbia

27/05/2022 20h16

Laia Mataix Gómez.

Bogotá, 27 mai (EFE).- Engenheiro e Rodolfo Hernández são dois conceitos já inseparáveis ??no cenário político colombiano, especialmente em uma disputa em que este magnata - que adotou a profissão como cartão de visita - decidiu apostar em seu status de independente para tentar conquistar a presidência.

O "Trump tropical colombiano", como alguns o chamam, não tinha muitas chances reais, segundo as primeiras pesquisas, de conseguir uma vitória nas urnas. Era desconhecido da maioria dos colombianos, com exceção do departamento de Santander, onde cresceu e fez fortuna.

No entanto, Hernández, candidato do movimento Liga de Governadores Anticorrupção, criado por ele mesmo e que não se define politicamente, embora suas propostas tendam mais ao populismo, tornou-se a surpresa da campanha.

As últimas pesquisas o aproximam cada vez mais de um segundo lugar que lhe garantiria um lugar no segundo turno, onde enfrentaria o esquerdista Gustavo Petro nas urnas.

PRIMEIROS PASSOS DO ENGENHEIRO.

O empresário de sucesso, afastado da política tradicional e das castas colombianas, começou sua carreira em Bucaramanga, capital do departamento de Santander, no nordeste do país, de onde é natural e onde se tornou milionário no ramo da construção de habitações sociais.

Criado em uma família da classe trabalhadora, Hernández, de 77 anos, é casado com Socorro Oliveros e tem quatro filhos: Luis Carlos, Mauricio, Rodolfo José e Juliana, desaparecida após ser sequestrada pela guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) em 2004.

Em sua carreira política fez do título de "engenheiro" algo indissociável de seu nome, dando a ideia de que por ser rico não precisaria roubar dos cofres públicos.

Hernández chegou ao poder em Bucaramanga de sua casa: comprou o apartamento do outro lado da rua, onde montou um escritório onde recebia a todos. As excentricidades também o seguiram até o gabinete da prefeitura, onde todas as segundas-feiras transmitia seu popular "Fale com o Prefeito" no Facebook, o que lhe rendeu algumas polêmicas.

LINGUA AFIADA.

Mas, sem dúvida, o que mais marcou sua presença no cenário político foi seu caráter, com tendência ao pitoresco e ao vulgar, e sem medo de confrontos.

Hernández é um "candidato atraente" porque tem ideias inovadoras, pouco ortodoxas, e "as transmite sem filtros, algo que pode conectar os eleitores", explicou o analista político Felipe Botero em entrevista à Agência Efe, ressaltando que isto não significa que estas ideias sejam "plausíveis".

O engenheiro chegou à disputa pela presidência com algumas polêmicas pelo caminho, como uma entrevista na qual garantiu que admirava Adolf Hitler ou quando bateu em um vereador da oposição da prefeitura de Bucaramanga, o que acabou levando à suspensão de seu mandato.

Sua campanha, como a que o levou à prefeitura, se baseou em um discurso muito crítico contra a corrupção, bem como contra os políticos tradicionais, a quem acusa por todos os males do país.

Apesar deste discurso que se tornou uma bandeira, Hernández está envolvido em um caso de corrupção que remonta ao seu período como prefeito devido a supostas irregularidades em um contrato de consultoria para a gestão de lixo em Bucaramanga. O julgamento está marcado para depois das eleições.

QUEM VOTA EM HERNÁNDEZ?.

O sucesso do engenheiro está nas regiões, especialmente nos "santanderes", em referência ao seu Santander natal e ao departamento vizinho de Norte de Santander. Ao contrário dos demais candidatos, não fez campanha em comícios em praças públicas, mas sim em pequenas reuniões com apoiadores.

Sua personalidade "explosiva e rebelde", além de um tanto "autoritária e intolerante", é o que "as pessoas gostam", analisou Viveros.

Por outro lado, Hernández provou ser "um pouco ingênuo sobre como as instituições democráticas funcionam e isso pode funcionar contra ele", já que "acredita que o presidente tem capacidade de tomar decisões que realmente não tem".

Além disso, caso se torne presidente, Hernández não terá partido no Congresso, o que pode trazer dificuldades para governar. EFE