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1 mês

ONU diz que Marrocos e Espanha fizeram "uso excessivo da força" na fronteira

28/06/2022 22h26

Nações Unidas, 28 jun (EFE).- A ONU afirmou nesta terça-feira que Marrocos e Espanha fizeram "uso excessivo da força" na fronteira da cerca de Melilla no último final de semana, em alusão à tentativa de entrada massiva a partir do território marroquino no qual 23 imigrantes morreram, e pediu que a violência seja investigada.

Na sua coletiva de imprensa diária, o porta-voz da organização, Stéphane Dujarric, se referiu ao incidente em Melilla quando questionado sobre as habituais reações de "tristeza" ou comoção do secretário-geral, António Guterres, a muitos acontecimentos.

"Já que você me pergunta sobre isso, quero expressar, usando um termo que já usamos, como ficamos chocados com as imagens da violência que vimos na fronteira entre Marrocos e Espanha no norte da África neste fim de semana", destacou.

"Também vimos o uso excessivo da força pelas autoridades, que deve ser investigado porque é inaceitável. Os Estados têm obrigações perante o direito internacional, o direito internacional dos direitos humanos e o direito dos refugiados, e todos devem ser respeitados", acrescentou.

Questionado sobre uma atribuição específica relativa ao uso excessivo da força por parte das autoridades que havia mencionado, o porta-voz disse tê-la visto "dos dois lados da fronteira", em referência aos territórios marroquino e espanhol.

Nesse sentido, Dujarric exigiu que os direitos humanos dos imigrantes sejam respeitados, criticou o fato de muitas vezes isso não ser feito e garantiu que a ONU continuará "pressionando os Estados-membros" para cumprir suas promessas no Pacto Global para Migração.

No sábado passado, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, culpou as máfias que traficam pessoas pelo "violento atentado à integridade territorial" do país, e defendeu o trabalho realizado pelas forças de segurança espanholas, uma vez que vários dos feridos eram agentes da Guarda Civil Espanhola.

Do lado espanhol, a incursão contra a cerca fronteiriça não registrou mortes, mas deixou 106 feridos (49 agentes da Guarda Civil e 57 imigrantes), a maioria sem gravidade e dos quais três tiveram de ser transferidos para um hospital.

O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, disse estar convencido de que "tanto Espanha como Marrocos" querem "saber o que aconteceu", embora tenha salientado que "uma avalanche de 2.000 pessoas é muito difícil de gerir", razão pela qual a Espanha precisa "reforçar ainda mais a colaboração com Marrocos". EFE