UOL Notícias Notícias
 
Brasília 50 Anos

16/04/2010 - 14h01

Rapper revela o lado B de uma Brasília que não se vê nos telejornais

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Brasília

“Quem mora fora do avião/Bate palma e pede diversão.” A rima fala da Brasília que existe fora do Plano Piloto e que não é ornada com monumentos e palácios de Oscar Niemeyer. O autor é Genival Oliveira Gonçalves, mais conhecido por suas iniciais. É o rapper Gog.

 

Ele faz versos sobre o Distrito Federal que se espalha em cidades-satélites, chamadas oficialmente agora de “regiões administrativas”. Credenciais têm para isso: filho de piauenses, ele nasceu em Sobradinho e já morou em Riacho Fundo e no Guará.

“Esta cidade foi criada para não ter tensão social, mas ela está nas ruas. Hoje, vive aqui uma população desgovernada, uma juventude ociosa pelo desemprego, pouca escola e pouco saneamento. O centro e a periferia não conversam. O Plano Piloto é uma bolha, mas acredito que o hip hop possibilita o diálogo”, argumenta o rapper.

Com mais de dez discos, dono de selo de gravação e promotor de saraus, Gog se tornou o rosto visível do subúrbio do DF, compondo “Brasília Periferia”, “Brasília Periferia -Parte 2” e “Terceira Mensagem”, que formam uma trilogia (confira trechos no vídeo acima).

“É uma Brasília nordestina, que mistura rap e embolada. Aqui tem esquinas, becos e vielas. E conta com muito voto que vai de Goiás para Brasília ao gosto dos políticos”, sintetiza o compositor. “Essas músicas são um alerta. Quero esquentar a chaleira”, completa.

Na banca ao lado, um tabloide policial exibe a manchete “Execução de mulheres assusta Planaltina”. A entrevista acontece no Conic, o prédio de diversões do outro lado da Esplanada dos Ministérios. É o ponto de encontro dos jovens pulverizados pelo DF. Por lá, tem loja de disco, quadrinhos, tatuador, cabeleireiros black, igreja evangélica, pais de santo, prostituição e sedes sindicais. Lá, a autogestão do hip hop conta com lojas, gravadoras, bilheteria para shows e festas. Lá, o b-boys se reúnem para dançar.

“Esse é nosso centro nervoso. A gente se encontra aqui porque na nossa quebrada não tem teatro, centro comunitário, nada”, define Gog. O hip hop criou por lá uma indústria própria, vendendo música e roupas do estilo. “O mercado não nos aceita. Então criamos nossa própria autogestão.”

Ele é um dos participantes do festival “Outros 50” (20 a 25 de abril), evento alternativo às festividades oficiais que devem ser ciceroneadas pela baiana Daniela Mercury e que sonhava até com Paul McCarthey antes do escândalo de corrupção barrar a megalomania.

Mas Gog não é alternativo quando se trata do governo federal. Ele é membro do Conselho Nacional de Política Cultural, convidado por Juca Ferreira. Já participou de festividades com Lula e Dilma Rousseff, para quem já ofereceu até um slogan para sua campanha presidencial: “Dilma Vez Por Todas”.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,39
    3,771
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    -0,03
    103.775,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host