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Brasília 50 Anos

17/04/2010 - 14h10

Bares temáticos dão passado à cidade cinquentona

Rodrigo Bertolotto
Enviado do UOL Notícias
Em Brasília

Um boteco carioca, um mercado paulistano, um restaurante mineiro, entre outros empreendimentos fazem de Jorge Ferreira o rei da noite brasiliense. O curioso é que seus bares temáticos criam uma nostalgia de uma época a capital brasileira era apenas cerrado.

Mas Jorge tem uma teoria para isso. “Brasília é moderna, mas é uma síntese do Brasil, e todo mundo que veio para cá traz a memória afetiva. É um retrocesso modernizante”, sentencia o ex-professor de sociologia da PUC virou empresário.

 

“Virei dono de boteco por incompreensão da burguesia, não me quis como trabalhador, não gostava de minha atuação sindical. Hoje, alimento a pequena burguesia”, crava quem já foi definido como o “anfitrião do PT”. Ferreira é companheiro de pescaria e de pelada do presidente Lula e por seus estabelecimentos desfilam figurões do partido.

Apesar dos políticos, Ferreira diz que seus bares não são um prolongamento do Congresso. “Meu bar é para os brasilienses. Os turistas e os políticos vão atrás porque os locais estão sempre cheios.”

Mineiro de Caratinga, Ferreira chegou há 25 anos a Brasília “por amor”, nas palavras dele. Afinal, sua futura mulher morava por lá. “Na década de 80, era uma cidade silenciosa, ainda reprimida pela burocracia e pelos militares. Hoje, ela está construindo uma alma. É uma cidade que cresceu e se abriu. Brasília foi a grande epopéia do povo brasileiro, e isso precisa ser resgatado”, analisa.

A combinação da boa renda no Plano Piloto e a busca de novidades gastronômicas fizeram surgir concorrentes, como os chefs Mara Alcamin e Dudu Camargo, também com empreendimentos em série.

O que não há é um prato brasiliense, nem artesanato ou folclore. No aeroporto Juscelino Kubitschek, a loja de souvenires tem onças do pantanal, anjos barrocos mineiro, argilas de mestre Vitalino. Com referências à capital, só imãs de geladeira com desenhos dos monumentos. Dos sabores, o típico de lá são os frutos do cerrado goiano, como os licores de pequi e baru ou os sorvetes de gabiroba, araticum, buriti ou mutamba.

“Apesar do escândalo de corrupção do Arruda [José Roberto, governador afastado], que baixou a auto-estima da cidade, falar que é o centro da corrupção é um erro danado. Brasília é um sonho colocado ema prática. Prefiro a imagem do espelho quebrado, que reflexo todo o país em uma cidade”, teoriza o empresário

Seu último empreendimento é uma reprodução do Mercado Municipal de São Paulo, com direito a pastel de bacalhau e sanduíche de mortadela, os petiscos prediletos do centro paulistano. Já o Armazém do Ferreira é batizado de “a esquina mais carioca de Brasília” e conta com a infalível empada de camarão.

E o que não vai faltar em Brasília são noites quentes, céus abertos e bolsos cheios para as pessoas buscaram refúgio nos bares de Ferreira.

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