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Brasília 50 Anos

18/04/2010 - 07h06

Piscinão proíbe bebida alcoólica e une classes em Brasília

Rodrigo Bertolotto
Enviado do UOL Notícias
Em Brasília

O Água Mineral, encravado no Parque Nacional de Brasília, é um piscinão diferente de seus similares cariocas. Nele, todo mundo é revistado para não entrar com bebida alcoólica e é proibido escutar música alta e brincadeiras com bola. Em compensação, os micos passeiam por perto atrás de comida e borboletas do tamanho de pássaros passeiam por lá.

Domingo ao sol

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Casal toma sol ao lado de formigueiro em gramado

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Menina carrega golfinho inflável para piscina

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Aos domingos, o "piscinão" brasiliense fica lotado

“Eu reclamo até de música no celular. Quer escutar? Então, coloca fone de ouvido”, afirma Rayane Costa, moradora de Sobradinho que de ônibus chegou por lá. A maioria, porém, chega de táxi e paga R$ 6 por pessoa na entrada do estacionamento para frequentar o local – taxa mensal dá direito a desconto.

O piscinão brasiliense também serve várias classes sociais, com frequentadores da classe média e menos favorecidos se misturando. Só não espere encontrar rapidamente um morador do Lago Sul ou Lago Norte por lá, afinal, são as regiões com maior concentração de piscinas particulares do país.

O que mais impressiona em uma aterrissagem em Brasília não são os monumentos projetados por Oscar Niemeyer, mas a quantidade de quadrados azuis nos quintais da capital. Levantamento do governo distrital apontou que 86% das casas do Lago Sul têm uma ou mais piscinas – no Lago Norte, a porcentagem é de 78%.

Em dia de semana e nas manhãs de sábado e domingo, no Água Mineral prevalece quem vai treinar natação, os triatletas e os marombados. Já nas horas mais quentes dos dias livres, as famílias buscam um refresco em meio ao clima seco e quente do Planalto.

“Saio de alma lavada quando venho aqui. É muito gostoso. E ainda tem essas trilhas maravilhosas”, conta Heloísa Ramos, que mora na Asa Norte. Como está em um parque ecológico, há muita área verde, com o cerrado denso e vistoso cortado de caminhos sombreados.

O maior parque nacional em área urbana do país conta com 120 variedades de mamíferos, com capivaras, antas, lobos e suçuaranas nas áreas mais isoladas, além de 150 tipos de aves e 28 espécies de peixes em seus rios e córregos. É exatamente do represamento de um deles que surge a água límpida e corrente das piscinas públicas.

Mas a proximidade da natureza também tem seus percalços. As saúvas passeiam pelos pés e atacam os distraídos piqueniques nos gramados vizinhos. E, como os humanos, os calangos também buscam o sol para se aquecerem.

Por outro lado, os funcionários do Ibama ameaçam greve e piquete no local. “Se começarmos a greve, o governo é o culpado”, gritou uma empregada que distribuía folhetos com as exigências trabalhistas na porta do parque.

De resto, o piscinão parece o típico local de veraneio. Famílias levam geladeiras de isopor cheias de bebidas e bolsas térmicas com a comida para matar a fome. Crianças brincam com baleias infláveis boiando na água. Senhoras deitam em redes armadas entre as árvores. Adolescentes tomam sorvete, rondam pela beira e paqueram.

A lotação máxima do complexo com duas piscinas é de 3.000 pagantes. E todos passam pelo crivo dos fiscais de entrada, que conferem até se as garrafas de refrigerante estão com a tampa lacrada, para evitar que venham com aditivo alcoólico em seu conteúdo.

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