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Brasília 50 Anos

21/04/2010 - 10h47

Faltam opções para pedestres em Brasília

Luciana Lima
Da Agência Brasil
Em Brasília

“Cabeça, tronco e rodas”. Quem já não ouviu essas referências exigidas de quem mora na capital da República? Da construção da capital aos planos de desenvolvimento que se sucederam ao longo dos 50 anos, o pedestre brasiliense foi esquecido. A cidade-parque, conceito modernista que deu o tom ao Plano Piloto de Lúcio Costa, virou a capital do automóvel por pura falta de opção.

No Distrito Federal, há um carro para cada 2,2 habitantes, segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran). Brasília é a nona capital brasileira com o maior número de veículos por morador. Isso provoca todos os dias engarrafamentos, principalmente na parte sul da capital, caminho para as regiões administrativas mais populosas como Taguatinga e Ceilândia, por exemplo.

Provas do descaso com os pedestres são os caminhos previstos para as superquadras, que nunca receberam a atenção devida das autoridades. Parte não foi construída e outra se encontra em precárias condições. Falta continuidade e padronização das calçadas existentes. A pesquisadora da Universidade de Brasília, Marilene Menezes, em sua dissertação de mestrado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, aponta o descaso com o pedestre dentro do Plano Piloto projetado por Lúcio Costa.

“Nunca foi detalhado como essa cidade seria usada pelo pedestre, que é a parte mais importante de qualquer cidade. Brasília está se tornando uma cidade absurda porque não previu o trânsito a pé", afirma. Ela destaca que no projeto de Lúcio Costa, ele apenas descreveu que a circulação de pedestre se faria “de forma independente, autônoma e separada” das vias destinadas ao tráfego de automóveis.

Com a falta de planejamento, as calçadas surgem em Brasília de forma desordenada, em consequência das construções. Não são calçadas que fazem parte de um planejamento único, como ocorre nas vias destinada ao tráfego de carros. Com isso, a descontinuidade dos caminhos serve de desestímulo à prática de andar a pé. “O trânsito de pedestres exige projetos, da mesma maneira que se projetam ruas para carros. Sem soluções inteligentes, as pessoas acabam recorrendo aos carros para tudo”, afirma a pesquisadora.

Os atropelamentos também são consequências da falta de uma política para os pedestres. A necessidade de quem anda a pé de encurtar caminhos faz com que as pessoas utilizem a beira das pistas ou atravessem as vias de forma insegura. Em 2009, 116 pessoas morreram atropeladas no Distrito Federal. O número é considerado alto e representa 27,4% do total de mortes no trânsito nesse período.

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