Xanana Gusmão apela para manutenção de presença da ONU em Timor-Leste

Washington, 24 Jan (Lusa) - O presidente de Timor-leste, Xanana Gusmão, apelou segunda-feira para a manutenção de uma presença da ONU no seu país depois de expirar a 20 de Maio o mandato da missão das Nações Unidas em Timor-leste (UNOTIL).

Xanana Gusmão, que falava para o Conselho de Segurança, falou pormenorizadamente de um relatório que entregou sexta-feira ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, segundo o qual a ocupação de Timor-Leste pela Indonésia durante 24 anos causou a morte de 183.000 pessoas.

O UNOTIL, de 45 membros, termina a 19 de Maio o seu mandato, depois de seis anos de actividade durante os quais ajudou a pôr de pé uma estrutura de estado depois da independência.

Todavia, Xanana Gusmão apelou ao Conselho de Segurança para encarar o estabelecimento em Timor-leste de uma Gabinete político especial encarregue de ajudar à organização das eleições de 2007, nomeadamente em matéria de formação da polícia.

"Tendo em vista as eleições de 2007 e a necessidade de garantir um diálogo sustentado e uma cooperação entre as forcas de segurança de Timor-Leste e as indonésias para evitar tensões e conflitos ao longo da fronteira, pensamos que o envio de 15 a 20 oficiais de ligação militar no quadro da um gabinete político especial seria de uma importância crucial", defendeu.

Xanana Gusmão indicou ainda que Timor-leste e a Indonésia tinham chegado a um acordo sobre 99 por cento da sua fronteira terrestre, ficando o resto para ser resolvido nas próximas semanas.

O presidente timorense informou também o Conselho de Segurança sobre o conteúdo de um relatório sobre o impacto da ocupação indonésia redigido pela Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), composta por associações de defesa dos direitos humanos.

A política seguida pelo exército indonésio para consolidar o seu poder durante os anos de ocupação levou à morte de 84.000 a 183.000 pessoas entre 1975 e 1999, ou seja, um terço da população total, segundo este relatório. Mais de 90 por cento das mortes foram devidas à fome e à doença, indica o documento.

O chefe de estado-maior do exército indonésio, general Endriartono Suharto, rejeitou domingo o conteúdo deste relatório, desmentindo, nomeadamente, que o Exército ou a Polícia indonésias tenham intencionalmente causado a fome na população timorense.

TM.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos