ONG's brasileiras apostam na arte para combater exclusão social

Lisboa, 08 Mar (Lusa) - Organizações não governamentais (ONG's) brasileiras estão a recorrer ao ensino artístico para combater a exclusão social dos mais desfavorecidos e aumentar a sua inserção no mercado de trabalho, segundo um estudo da Universidade da Paraíba.

As conclusões do estudo, realizado por Lívia Carvalho, do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal da Paraíba, no Brasil, foram hoje apresentadas durante uma sessão sobre o papel da educação artística na integração social e cultural, realizado no âmbito da Conferência Mundial de Educação Artística.

Promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a conferência, que tem a participação de centenas de especialistas de 150 países, pretende promover o ensino das artes, sobretudo entre as crianças e jovens mais desfavorecidos socialmente.

Na sua intervenção, a investigadora brasileira Lívia Carvalho apresentou as conclusões de um estudo que desenvolveu no Brasil com três ONG's, entidades que "em geral, tiveram um aumento de 150 por cento nos últimos cinco anos no país".

Apurou que a maioria destas ONG's "têm projectos pedagógicos com ensino das artes para crianças e adolescentes com o objectivo de combater a exclusão social" porque "fortalecem a sua auto-estima".

O ensino das artes "tem o poder de transformar as crianças e jovens a nível pessoal e social", concluiu Lívia Carvalho.

"O contacto com as artes também desenvolve habilidades técnicas e cognitivas, que por seu turno proporcionam mais oportunidades de inserção no mercado de trabalho", referiu ainda a investigadora com base nas conclusões das entrevistas e inquéritos que realizou a responsáveis das ONG's brasileiras.

A pesquisa abrangeu sobretudo três ONG's, nomeadamente a Casa Pequeno David, que apoia 300 crianças e jovens com idades entre os sete e os 18 anos, todos provenientes de uma região pobre do Nordeste do Brasil, onde a população sobrevive com o que encontra nas lixeiras.

As outras ONG's são a Malungo, no Recife, que apoia 150 crianças e jovens, e a Casa Renascer Natal, naquela cidade, que presta auxílio a 35 meninas em risco de exploração sexual.

"A indústria do turismo desenvolveu-se muito no nordeste do Brasil, o que aumentou a procura do turismo sexual na região, e actualmente é um problema grave", alertou Lívia Carvalho.

A investigadora da Universidade Federal da Paraíba advertiu ainda que a exclusão social "está a penalizar toda uma geração de brasileiros" e defendeu que "o ensino das artes é um instrumento válido para combater a inserção dos desfavorecidos".

AG.

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