Chanceler português vai à Arábia Saudita buscar investimento

Riad, 24 Abr (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores) português, Diogo Freitas do Amaral, inicia hoje uma visita de dois dias à Arábia Saudita com o principal objetivo de "abrir uma porta" ao investimento saudita em Portugal.

É a primeira visita de um chanceler português em mais de 20 anos a um dos "maiores investidores, devido à riqueza que vem do petróleo". "A Arábia Saudita tem boas relações com a UE (União Européia), com os Estados Unidos e não há razão para que a relação com Portugal não seja mais ativa e intensa", disse o ministro à Agência Lusa antes de partir.

Em visita a Lisboa em setembro, o príncipe saudita Khaled Al-Faisal destacou a necessidade de promover investimentos entre os dois países.

Segundo Freitas do Amaral, ainda não estão definidas áreas de investimento, o que será feito pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, e pela Agência Portuguesa de Investimentos, após análise das áreas de interesse da Arábia Saudita. A balança comercial é favorável à Arábia Saudita, que no ano passado foi o 17º fornecedor de Portugal, mas o 40º cliente.

O chanceler anunciou que pretende reforçar a embaixada em Riad e abrir uma representação nos Emirados Árabes Unidos, país que visita quarta-feira e que também manifestou interesse em investir em Portugal.

Hoje, Freitas do Amaral encontra-se com representantes da comunidade portuguesa, estimada em cerca de cem pessoas. Amanhã, se reúne com o rei Abdullah Al-Saud, com o príncipe herdeiro e ministro da Defesa, Sultan bin Abdul Aziz, com o chanceler Saud Al- Faisal e com o governador de Riad, príncipe Salman Ibn Abdul Aziz Al-Saud.

Conflito no Oriente Médio

Questionado sobre o fato de a Arábia Saudita ser um dos principais financiadores do Hamas, grupo radical islâmico que venceu as eleições legislativas palestinas em janeiro, o ministro português respondeu que é importante "ouvir dos dirigentes sauditas o que pensam do conflito no Oriente Médio". "Portugal, tal como a UE, está interessado em ter as melhores relações com o mundo islâmico, e não na guerra das civilizações".

Segundo ele, o "diálogo com países árabes moderados" passa também pela região do Magrebe (norte da África), uma região estratégica para Portugal. "Tem de haver diálogo, tolerância e compreensão para evitar crises. Não há razão para nos convencermos de que é inevitável um conflito entre o ocidente e o Islã", disse.

O chefe da diplomacia destacou ainda a necessidade de Portugal se informar sobre a região "para ter um papel de liderança neste diálogo" quando ocupar a presidência da UE, no segundo semestre de 2007.

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