Portugal foi gigante na dramática batalha dos cartões

Nuremberg, 25 Jun (Lusa) - Um golaço de Maniche permitiu hoje a uma gigante seleção portuguesa de futebol sobreviver a uma incontrolável batalha de cartões e conquistar, diante da Holanda, um lugar nas quartas-de-final da Copa da Alemanha.

Em jogo dramático, Portugal, que esteve em inferioridade numérica por dois períodos (entre os descontos da primeira etapa e os 18 do segundo e a partir dos 33 minutos do segundo tempo), soube merecer a sorte dos campeões, em um jogo memorável e marcado pela distribuição de 16 cartões amarelos e quatro vermelhos, um recorde em jogos de Copa.

Mais do que um jogo de futebol, viveu-se em Nuremberg uma guerra sem tréguas, que a experiência da equipe portuguesa foi determinante, cumprindo o objetivo traçado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari: Portugal está entre os oito melhores do mundo.

A Holanda foi melhor em muitos períodos, teve o domínio da posse de bola (62% contra 38%) e oportunidades de gol, mas nunca teve arte para bater Ricardo, que esteve em um grande dia, como quase todos os jogadores lusos, com exceção de Costinha, cuja expulsão infantil, em cima do intervalo, poderia ter deitado tudo a perder.

Maniche, que já havia marcado contra os holandeses nas semifinais da Euro2004 ? quando Portugal venceu por 2 a 1 - acabou por ser o maior dos heróis, ao selar, aos 23 minutos, a classificação de Portugal, que vai enfrentar sábado a Inglaterra, nas quartas-de-final, sem Costinha e Deco, também expulso.

Scolari, um verdadeiro mestre no mata-mata, somou o seu 11º triunfo consecutivo em Mundiais, e Portugal, o 18º duelo seguido sem perder, frente a uma Holanda que ainda não tinha sido derrotada em um jogo oficial na "era Van Basten" (após a Euro2004) e voltou a mostrar não se dar bem com o futebol luso (só uma vitória, em 10 jogos).

A seleção portuguesa entrou em campo com a formação prevista, que já tinha sido escalada no segundo jogo (2 a 0 contra o Irã): Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente à frente do goleiro Ricardo, um meio-campo com Costinha, Maniche e Deco e dois meia-atacantes (Figo e Cristiano Ronaldo) no apoio ao centroavante Pauleta.

Por seu lado, Van Basten optou mesmo por deixar de fora Van Nistelrooy, substituído por Kuyt, e trocou ainda Heitinga por Boularouz, em relação à equipe que havia sido titular nos dois primeiros jogos (1 a 0 diaate de Sérvia e Montenegro e 2 a 1 na Costa do Marfim).

A Holanda entrou, assim com Van der Sar na baliza, uma defesa com Boulahrouz, Ooijer, Mathijsen e Van Bronckhorst, um meio-campo com Van Bommel, Cocu e Sneijder e um trio na frente (Van Persie e Robben, nas pontas, e Kuyt no meio).

Perante uma moldura humana predominantemente laranja, os holandeses entraram melhor, pressionando o tempo todo, e finalizaram três vezes nos cinco minutos iniciais, o primeiro, por Van Bommel, bem mais perigoso que os outros dois, de Robben e Van Bronckhorst.

A Holanda trouxe também excessiva agressividade, talvez na tentativa de intimidar, e aos sete minutos Van Bommel e Boulahrouz já tinham sido advertidos com cartão amarelo, ambos por faltas sobre Cristiano Ronaldo. A segunda delas deixou o jovem luso visivelmente indignado, pedindo vermelho.

O equilíbrio chegou pouco depois, com Portugal começando a chegar à área adversária e a marcar na primeira finalização a gol: aos 23 minutos, Cristiano Ronaldo ganhou uma bola dividida, serviu Deco na direita e este centrou para a área, onde Pauleta tocou para Maniche, que fintou dois adversários e rematou forte e colocado.

Com o gol, Portugal tranqüilizou-se e efetuou, nos minutos seguintes - quando teve seu melhor momento em campor-, mais dois remates perigosos, por Maniche (27 minutos) e Deco (29), ainda com Cristiano Ronaldo, que, sem condições físicas, acabou por abandonar o campo em lágrimas (34), sendo substituído por Simão.

A Holanda só voltou a equilibrar a partida aos 37 minutos, numa jogada individual de Van Persie, concluída com um tiro perigoso. Porém, perto do intervalo, Portugal só não marcou devido ao milagroso pé direito de Van der Sar, que deteve uma excelente finalização de Pauleta, que teve assistência de Simão.

A formação lusa não conseguiu, por milímetros, o segundo tento e, nos descontos, Costinha, já com um cartão amarelo, colocou infantilmente a mão na bola e viu o segundo, que já havia ameaçado antes, numa outra infração completamente desnecessária.

Com um jogador a menos, Scolari optou por abdicar de Pauleta e colocar Petit, passando Portugal a atuar num "4-3-2", com Petit, Maniche e Deco, este a fazer o vértice ofensivo do triângulo, no meio-campo, e Figo e Simão, sobre as alas, mais adiantados.

A Holanda aproveitou o natural recuou luso, assumiu o comando do jogo e, aos 4 minutos do segundo tempo, esteve perto de marcar, em um tiro no travessão de Cocu, sendo que, aos 6 e 13, o goleiro Ricardo foi quem brilhou, em resposta a remates violentos de Van Bommel e Van der Vaart.

Portugal respondeu com remates de Miguel (5 minutos do segundo tempo), Figo (9) e Maniche (12), até que, aos 18 minutos, a matreirice de Figo conseguiu fazer com que o árbitro expulsasse Boulahrouz, deixando as duas equipas de novo em igualdade numérica.

O jogo estava já estava quente, mas a partir dos 27 começou a ferver: os holandeses não devolveram a bola a Portugal, que tinha colocado para lateral para que um jogador pudesse ser atendido.

A partir daí, sucederam-se cinco cartões amarelos em curto espaço de tempo, sendo que o último valeu a expulsão a Deco, deixando, a 12 minutos do final, a equipe lusa novamente em inferioridade numérica, desta vez nove contra 10.

Foi, uma vez mais, tempo de sofrer, com a Holanda novamente perto de empatar. A dez minutos do fim do jogo, Kuyt ficou sozinho e só não empatou devido a nova grande intervenção de Ricardo.

Até ao final, o tempo pareceu infinito, mas Portugal, com enorme garra, logrou segurar a preciosa vantagem e selar a classificação para as quartas-de-final: o objetivo de Scolari está cumprido e segue-se agora a Inglaterra, dentro de seis dias.

Quanto ao árbitro, o russo Valentin Ivanov, os 16 cartões amarelos e quatro vermelhos exibidos, um recorde em Copas, mostram uma exibição algo desorientada: não soube controlar o jogo, deixando-o descambar... com a ajuda dos jogadores.

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