Itália é campeã, e Zidane se despede com cartão vermelho

Berlim, 09 Jun (Lusa) - A Itália conquistou em Berlim seu quarto título mundial (1934, 1938 e 1982), ao vencer a França por 5 a 3 na loteria dos pênaltis, em uma final marcada por um vergonhoso adeus do francês Zinedine Zidane.

No último jogo de sua carreira, o número 10 abriu o placar aos 7 minutos, ao marcar um pênalti a la Postiga, mas, no segundo tempo da prorrogação, mostrou sua pior face, com uma cabeçada indesculpável no peito Materazzi - autor do gol italiano, aos 19 minutos da partida.

A Itália, que ficou a um título do pentacampeão Brasil, nem foi superior aos gauleses, mas acabou por ser mais feliz e eficaz, já que fez os cinco pênaltis.

Depois de, em 1994, ter caído perante os brasileiros na única final decidida nos pênaltis (3-2), a Itália vingou a derrota na final da Eurocopa de 2000, com a ajuda de David Trezeguet - o mesmo que selou a vitória francesa há seis anos.

No final de um encontro intenso, mas raramente bem jogado, o capitão Fabio Cannavaro ergueu a Copa do Mundo, com a qual Portugal também chegou a sonhar. Um prêmio justo, além de um castigo para Zidane, que brilhou em Saint-Denis em 1998, quando fez dois gols contra o Brasil.

O jogo

A Itália apresentou-se em 4-4-2, com Gianluca Zambrotta, Fabio Cannavaro, Marco Materazzi e Fabio Grosso na defesa, Ginluigi Buffon no gol, Gennaro Gattuso e Andrea Pirlo, Mauro Camoranesi e Simone Perrotta, e Francesco Totti no apoio ao ponta-de-lança Luca Toni.

Por seu lado, a França entrou com o mesmo time titular que derrotou Portugal nas semifinais: Fabien Barthez no gol, Willy Sagnol, Lilian Thuram, William Gallas e Eric Abdial na defesa, Claude Makelele e Patrick Vieira, Franck Ribery, Florent Malouda, Zinedine Zidade e Thierry Henry.

O jogo começou com o gol francês: Malouda atirou-se na área e iludiu o árbitro, que deu o pênalti, marcado por Zidane: a bola bateu no travessão e entrou, por pouco.

A França não podia ter pedido melhor início, mas a vantagem durou pouco, já que, aos 19 minutos, Pirlo cobrou um escanteio na direita e, no segundo poste, o zagueiro Materazzi saltou mais alto do que Thuram e cabeceou fora do alcance de Barthez.

O equilíbrio ficou restabelecido e foi uma tendência que se manteve até o final do primeiro tempo, com as duas equipes jogando bem, mas criando perigo apenas com bola parada ? os franceses com Gallas e os italianos mais uma vez com Materazzi.

No início do segundo tempo, o time de Domenech entrou melhor, graças à inspiração de Henry, que criou perigo em três situações (1, 5 e 8 minutos), mas não conseguiu acertar. Até o final do tempo regulamentar, destaque apenas para duas ações de Pirlo: uma cobrança de falta que passou pelo poste direito e um passe que Iaquinta não soube aproveitar.

Na primeira parte da prorrogação, imperou a França, que criou duas fantásticas ocasiões: aos 9 minutos, Ribery fez tabela com Malouda e, isolado, atirou para a esquerda; e, aos 14, Sagnol saiu da direita e Zidane cabeceou para grande defesa de Buffon.

Os gauleses, mesmo com um dia a menos de descanso, pareciam melhor fisicamente, até que, aos 3 minutos do segundo tempo da prorrogação, Zidane estragou a festa, com uma cabeçada no peito de Materazzi - que lhe valeu, dois minutos depois, um vergonhoso e justo cartão vermelho.

Apesar de terem ficado com um homem a mais em campo, os italianos não conseguiram sair do empate, a uma altura em que o estádio se virou em peso contra eles, como se tivessem feito teatro.

Depois, vieram os pênaltis e só um jogador falhou: o francês David Trezeguet chutou na trave, justamente o mesmo jogador que, na final da Eurocopa de 2000, garantiu a vitória da França sobre a Itália por 2 a 1, com um gol de ouro na prorrogação.

O lateral esquerdo Fabio Grosso, autor do primeiro gol italiano na semifinal, contra a Alemanha (2 a 0 após prorrogação), foi o autor do pênalti decisivo. Então começou a festa italiana.

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