Ex-premiê do Timor depõe e foge de polêmica com presidente

Díli, 07 Nov (Lusa) - Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro do Timor Leste, foi ouvido nesta terça-feira na capital Díli sobre as acusações de repasse de armas a civis durante o conflito que assolou o país em abril e maio últimos, e evitou comentar críticas feitas contra o partido que lidera em texto publicado na imprensa nesta segunda-feira pelo presidente timorense, Xanana Gusmão.

Alkatiri (foto) chegou cercado por seguranças ao local de seu depoimento a promotores, que durou cerca de duas horas nesta terça, e evitou comentar o assunto à imprensa.

Afirmou à Agência Lusa apenas que "a carapuça serve a quem a vestir", em referência às acusações de Gusmão publicadas nesta segunda.

Líder da Frente Revolucionária do Timor Leste (Fretilin), partido majoritário do país, Alkatiri afirmou que já tinha falado sobre o assunto com o presidente do partido, Francisco Guterres "Lu-Olo", e que uma posição coletiva da Fretilin seria anunciada "para mais tarde".

A resposta da legenda deverá ser divulgada somente depois da publicação da segunda parte do texto de Gusmão, inicialmente prevista para esta terça-feira, mas que, segundo disse à Agência Lusa uma fonte ligada à Presidência, "ainda está sendo trabalhada".

Texto polêmico

O primeiro texto, publicado nesta segunda em português em um jornal local e nesta terça em tétum (língua com maior expressão no Timor) em outros diários da capital timorense, rebate ponto por ponto um documento aprovado na última reunião do Comitê Central da Fretilin, em 29 de outubro.

Nesse documento, intitulado "Análise da Situação e Perspectivas", a Fretilin denuncia a atual crise no país como resultando essencialmente de um conflito político, "onde o desrespeito pela ordem constitucional democrática e os meios e formas de agir refletem um caráter profundamente antidemocrático e golpista".

Segundo essa tese, um plano de conspiração teria começado em 2002, com "a tentativa de forçar a criação de um governo de unidade nacional", tendo assumido, ainda segundo a Fretilin, diversas formas até a crise atual.

Em seu texto, intitulado "As Teorias das Conspirações", Xanana Gusmão acusa a Fretilin e o Comitê Central do partido de "total falta de honestidade política", considerando o documento aprovado por aquele órgão partidário como um "insulto" à inteligência.

Gusmão anunciou que na segunda parte do texto abordará a passagem do documento da Fretilin em que a legenda liderada por Alkatiri afirma que, "durante estes quatro anos, um plano bem traçado de contra-inteligência foi sendo implementado".

Como resultado da crise, marcada pela desintegração da Polícia Nacional e por divisões nas Forças Armadas, Alkatiri pediu demissão do cargo de primeiro-ministro, tendo sido substituído há mais de três meses pelo até então ministro das Relações Exteriores e da Cooperação, José Ramos Horta.

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