Em ato simbólico, Timor Leste sela pacto pela paz

Díli, 15 Nov (Lusa) - Efetivos das forças de defesa e de segurança do Timor Leste participaram nesta quarta-feira de uma demonstração em frente ao Palácio do Governo, em Díli, em um ato que traduziu um pacto de compromisso com a paz, segundo o presidente timorense, Xanana Gusmão.

A iniciativa, a que compareceram os quatro órgãos, além de deputados, membros do governo e do corpo diplomático, visou demonstrar o "espírito de unidade e solidariedade" entre as Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), de acordo com um comunicado da Presidência da República.

Efetivos das F-FDTL e da PNTL envolveram-se em confrontos na crise político-militar desencadeada em abril, que deixou um saldo de mais de 50 mortos, dezenas de milhares de deslocados e enormes estragos materiais em bens públicos e privados.

Cerca de 600 efetivos das duas forças participaram na parada, que contou com discursos de Xanana Gusmão, do presidente do Parlamento Nacional, Francisco Guterres "Lu-Olo", do primeiro-ministro José Ramos Horta, e do presidente do Tribunal de Recurso, Cláudio Ximenes, que discursaram em tétum ? idioma oficial do Timor Leste ao lado do português.

A tônica dos quatro discursos assentou na necessidade de os militares e policiais timorenses assegurarem à população que a crise estava chegando ao fim e que importava demonstrar um clima de unidade.

Xanana Gusmão, que começou por saudar a iniciativa dos jovens da capital em prol da paz, que desde segunda-feira participaram em marchas que atravessaram Díli com apelos nesse sentido, pediu às forças em parada que seguissem aquele exemplo.

"Com a ação destes jovens, temos que aprender a parar com a violência", disse. "Esta parada é para demonstrar ao povo que os seus filhos estão novamente unidos e assim vão continuar", acrescentou.

Xanana Gusmão salientou que os culpados pela crise no país são os órgãos de soberania e lançou três apelos.

Aos jovens para que "acabem com a violência e façam a paz", às forças de segurança para que contribuam para o clima de paz que todos desejam e à população para que colabore com as forças armadas e a polícia timorenses, "quando regressarem ao ativo".

"Só assim poderemos dar garantias aos deslocados que podem regressar às suas casas", destacou.

Quando Francisco Guterres "Lu-OLo" interveio, ocorreu um episódio que provocou reações diversas entre a assistência.

Dirigindo-se às entidades oficiais presentes, trocou o nome do primeiro-ministro José Ramos-Horta pelo de Mari Alkatiri, ex- chefe de governo e líder do partido majoritário, a Fretilin.

Enquanto José Ramos Horta procurava conter o riso, Xanana Gusmão, mais circunspecto, cofiou a barba, e do meio da assistência avolumaram-se as trocas de olhar e os murmúrios.

Depois dos discursos, jovens da comissão organizadora das marchas pela paz que segunda-feira e terça-feira percorreram as ruas de Díli, entregaram a cada militar e policial uma flor, realizando-se no final o desfile dos 600 efetivos, acompanhado por palmas dos assistentes, cerca de 1,5 mil pessoas em redor do espaço fronteiro ao Palácio do Governo.

A parada seguiu-se aos encontros, realizados em privado, de Xanana Gusmão com efetivos de cada uma das forças e a um encontro com representantes das forças armadas e polícia, a que se juntou o primeiro-ministro José Ramos Horta, em uma confraternização em Balibar, a 20 quilômetros de Díli, na residência particular do chefe de Estado.

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