Portugal adota cautela sobre freio da UE à adesão turca

Lisboa, 30 Nov (Lusa) - Portugal quer "ouvir com atenção" os argumentos da Comissão Européia (braço executivo da União Européia) sobre uma suspensão parcial das negociações para a adesão da Turquia antes de decidir-se a favor ou contra a medida, disse nesta quinta-feira à Agência Lusa o secretário de Estado português para Assuntos Europeus.

"Sempre dissemos que se deve ouvir com muita atenção aquilo que a Comissão diz. Não podemos defender a importância da posição da Comissão em um determinado momento e mais tarde simplesmente ignorar suas recomendações", disse Manuel Lobo Antunes, quando questionado sobre a posição portuguesa a ser adotada na reunião de ministros europeus das Relações Exteriores do próximo dia 11.

O secretário de Estado luso frisou, no entanto, que "a adesão da Turquia à União Européia (UE), quando estiverem preenchidos todos os critérios", é um "objetivo estratégico" do governo português, e que desta forma Portugal continuará defendendo a necessidade de se "trabalhar sempre para que o processo volte à dinâmica normal".

A Comissão Européia recomendou nesta quarta-feira aos 25 Estados que compõem atualmente a UE a suspensão parcial das negociações para a adesão da Turquia, depois do fracasso de uma última tentativa da presidência finlandesa rotativa do bloco de persuadir os turcos a abrirem seus portos e aeroportos a navios e aviões do Chipre, membro da UE.

A presidência finlandesa já deu seu apoio a esta recomendação, afirmando que ela "é uma base sólida para a discussão no Conselho" de Ministros do dia 11 e frisando que a decisão a ser tomada na ocasião "deve refletir as expectativas da UE de que os países candidatos cumpram com suas obrigações".

Na Turquia, a recomendação da Comissão foi considerada "inaceitável", e nesta quinta-feira o ministro turco da Economia, Ali Babacan, considerou "injusto pedir à Turquia para fazer uma concessão unilateral" e estender a união aduaneira ao Chipre quando "a UE não mantém suas promessas" e continua fechada para a autoproclamada República Turca do Norte do Chipre.

Quando questionado sobre estas declarações, Lobo Antunes evitou comentá-las, mas defendeu que "a UE também tem de fazer um esforço" para resolver o impasse, e ressaltou que "os dois lados têm de trabalhar em conjunto".

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