Moçambique tem primeiros registros de mutilações genitais

Maputo, 08 Dez (Lusa) - Seis casos de mutilação genital foram registrados este ano pelas autoridades policiais no norte de Moçambique, os primeiros do gênero denunciados no país, segundo um inquérito sobre a violência contra a mulher divulgado nesta sexta-feira em Maputo.

"Nós não tínhamos isto (a mutilação genital) em Moçambique. Devemos combater severamente esta prática", disse a ministra moçambicana da Mulher e Ação Social, Virgínia Matabele, após a apresentação do Documento sobre Violência Contra a Mulher, do Gabinete de Atendimento à Mulher e à Criança Vítimas de Violência, ligado ao Ministério do Interior.

Segundo a responsável do Gabinete de Atendimento à Mulher e à Criança Vítimas de Violência, Lurdes Mabunda, que apresentou o estudo, "a mutilação genital feminina é muito pouco falada em Moçambique, devido a sua raridade, mas estão surgindo casos, e de uma forma grave".

De acordo com Lurdes, algumas famílias do norte de Moçambique estão aprendendo e imitando a prática da ablação do clítoris em famílias de refugiados dos países da África Oriental que se encontram naquela região.

"A mutilação genital feminina é uma prática comum em tais pontos do continente africano", acrescentou a responsável do Gabinete de Atendimento à Mulher e à Criança Vítimas de Violência.

Ritos de iniciação

A rápida assimilação do costume da mutilação genital no norte do país está aparentemente sendo facilitada pelo fato de já terem sido praticados naquela região os chamados ritos de iniciação, por meio dos quais os jovens são preparados para a idade adulta.

Tais ritos também envolvem pequenas cirurgias tradicionais, mas sem grandes conseqüências físicas e psicológicas.

Segundo dados do Estudo Sobre Violência Contra a Mulher, o país registrou no total 9.652 casos de violência doméstica de janeiro a outubro de 2006, dos quais 2.748 contra crianças, 5.302 contra mulheres e 1.602 contra homens.

Lurdes Mabunda declarou que o gráfico sobre a violência doméstica aponta para uma elevação no número de agressões protagonizadas por mulheres contra homens, um fenômeno também novo em Moçambique, dominado por uma sociedade fortemente patriarcal.

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