Situação no Líbano foi normalizada, afirma cônsul português

Lisboa, 26 Jan (Lusa) - A situação em Beirute, onde nesta quinta-feira quatro pessoas morreram em confrontos, é de normalidade nesta sexta, embora as pessoas aparentem estar de sobreaviso para a possibilidade de novos casos de violência, disse à Agência Lusa o cônsul de Portugal no Líbano.

André Boulos, que representa Portugal na capital libanesa, assegurou, por outro lado, que os cerca de 30 portugueses no Líbano estão "à margem" dos confrontos entre xiitas e sunitas por residirem em áreas cristãs, seja na região leste da capital, seja em outros pontos do país.

Da mesma forma, disse, os 141 militares portugueses reunidos na força das Nações Unidas postada no sul do país estão "muito longe" da violência, e em uma área que, embora não seja cristã, "está absolutamente calma".

"Em Beirute está tudo normal. O toque de recolher obrigatório decretado ontem (quinta-feira) à noite foi suspenso hoje pela manhã e, por isso, as lojas estão abertas - eu estou no meu escritório trabalhando - e a circulação nas ruas é normal", disse o cônsul, em depoimento por telefone à Agência Lusa.

Boulos afirmou, no entanto, que "é visível um estado de atenção, de sobreaviso, nas pessoas que andam nas ruas", atitude que atribuiu ao receio de que "as forças pró-sírias continuem a causar incidentes para manter a tensão e, assim, inviabilizar o governo moderado e pró-ocidental" do líder Fuad Siniora.

Toque de recolher

Nesta quinta-feira, quatro pessoas foram mortas a tiros e 152 ficaram feridas em confrontos entre manifestantes da oposição xiita e pró-governamentais em bairros muçulmanos de Beirute, o que levou as autoridades a decretarem um toque de recolher obrigatório entre as 20h30 e as 6h locais.

Estes incidentes entre xiitas e sunitas foram os mais graves desde o fim da guerra civil libanesa (1975-1990).

Apesar da suspensão do toque de recolher obrigatório, todas as escolas se mantêm fechadas até domingo por ordem do Ministério da Educação, uma vez que os incidentes de quinta-feira tiveram início em uma universidade árabe (sunita) ao sul de Beirute, com confrontos entre estudantes e que acabaram se estendendo depois a vários bairros muçulmanos.

Difícil entendimento

A tensão em Beirute é elevada desde que, no início de dezembro, a oposição ao governo lançou uma campanha de manifestações para exigir eleições antecipadas, hipótese que é rejeitada pela maioria moderada do Parlamento nacional.

Depois dos confrontos de quinta-feira, no entanto, ambas as partes fizeram um apelo para que prevaleça a tranqüilidade, e pediram a seus seguidores para que não se mantenham nas ruas para evitar que a situação ocasione um conflito mais ampliado.

"Todos devem sair das ruas, manter a calma e dar lugar ao Exército e às forças de segurança", disse nesta sexta o líder do movimento radical xiita Hezbollah, Hassan Nasrallah.

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