Protestos e boas intenções marcam fim da Cúpula UE-Rússia

Moscou, 18 Mai (Lusa) - A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou nesta sexta-feira sua preocupação frente à situação criada em torno da "Marcha dos Discordantes", que a oposição russa tentou realizar durante a Cúpula União Européia (UE)-Rússia, na cidade russa de Samara.

"Digo sinceramente que gostaria que os que querem manifestar-se hoje em Samara e revelar sua opinião possam fazer isso. Estou preocupada com o fato de alguns terem tido problemas com a entrada aqui e espero que eles possam expressar sua opinião", declarou Merkel na entrevista coletiva realizada após seu encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O líder russo disse não ter nada contra a "Marcha dos Discordantes", desde que os manifestantes não violem a lei e não incomodem a vida de outros cidadãos.

"A mim não incomodam. Mas considero que qualquer ação deve ser realizada no âmbito da legislação existente e não incomodar os outros cidadãos", declarou Putin, classificando a oposição de "grupos marginais pouco numerosos".

Apesar das palavras de Putin e da autorização das autoridades de Samara, a polícia russa fez de tudo para impedir a manifestação. No aeroporto Sheremetievo 1, de Moscou, estão detidos e retidos mais de 20 dirigentes da oposição russa, além de jornalistas.

Merkel e o presidente da Comissão Européia (braço executivo da União Européia), o português José Manuel Durão Barroso, dirigiram a delegação da UE na cúpula com a Rússia, que ocorreu nos arredores da cidade russa de Samara.

Energia e vistos

Putin anunciou também que a Rússia e a UE planejam criar um sistema de informação e aviso recíproco na área energética.

"A pedido dos parceiros europeus, continuaremos o trabalho de criação de um mecanismo de informação e aviso recíproco no campo energético", disse Putin, acrescentando ter sido obtido um acordo para "acelerar os trabalhos de realização de programas de cooperação fronteiriça entre a Rússia e a União Européia".

O presidente russo revelou também que foi decidido um impulso às conversações visando ao fim ao sistema de vistos entre a Rússia e os 27 Estados-membros da UE.

"Tendo em conta que no dia 1º de junho entrará em vigor um acordo para facilitar a concessão de vistos entre Rússia e UE, vamos acelerar as conversações para que, no futuro, não sejam precisos vistos para realizar viagens", completou Putin.

O dirigente russo terminou sua participação na coletiva destacando que os participantes da cúpula chegaram a acordo sobre "quase todas questões, salvo sobre os problemas econômicos com alguns países vizinhos".

"Em regra geral, essas questões (problemáticas) encontram-se na esfera do egoísmo de um primeiro, um segundo ou mesmo um terceiro país europeu", acrescentou Putin.

"É uma idéia absolutamente falsa de que não chegamos a acordo sobre sequer uma questão", concluiu, em resposta à pergunta de um jornalista alemão.

OMC

O presidente da Comissão Européia apoiou, por sua vez, a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC) e considerou que "não existem razões para se proibir a importação de carne polonesa (pela Rússia)".

"Se existissem razões, não permitiríamos a exportação para a União Européia", comentou Durão Barroso.

"Os nossos colegas e amigos poloneses não falam conosco há mais de um ano. Graças a Deus que existe a chanceler alemã, que representa os interesses deles. Vamos continuar a conversar", rebateu Putin.

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