Premiê luso se prepara para administrar crise UE-Rússia

Lisboa, 26 Mai (Lusa) - O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, encontra-se nesta terça-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, na capital da Rússia, ocasião em que começará a preparar terreno para gerir, durante a Presidência portuguesa da União Européia (segundo semestre), a crise entre Bruxelas e Moscou.

A visita oficial de três dias de Sócrates, que começa neste domingo, acontece um mês antes de Portugal assumir a Presidência da União Européia e num momento em que Bruxelas e o poder de Moscou se encontram num impasse diplomático.

A última reunião de cúpula entre Rússia e União Européia terminou no último dia 18, na cidade de Samara (a sudeste da parte européia da Rússia), sem qualquer acordo em relação à independência do Kosovo, a uma nova parceria estratégica em energia ou ao fim do embargo russo às importações de carne proveniente da Polônia.

Está prevista para outubro uma nova cúpula entre a União Européia e a Rússia, cabendo à presidência portuguesa um papel relevante nas negociações para desbloquear o atual quadro de crise.

Visita

Fonte diplomática portuguesa afastou qualquer possibilidade de a visita do primeiro-ministro à Rússia - que tem uma forte componente bilateral nos planos políticos e econômico - ser encarada como um sinal de falta de solidariedade em relação aos parceiros europeus.

A mesma fonte que, ao contrário, a visita de José Sócrates à Rússia estava "há longo tempo planejada", que "é do conhecimento de todos os Estados-membros da União Européia" e que a atual presidência alemã, por intermédio da chanceler Angela Merkel, tem estado "em estreita articulação" com Lisboa.

Segundo o governo português, durante os três dias que Sócrates permanecerá em Moscou, "não haverá qualquer negociação com as autoridades russas para desbloquear o impasse com Bruxelas, até porque o governo português não tem legitimidade para isso" neste momento.

No entanto, durante as conversações de caráter político, o chefe do governo português não deixará de passar a mensagem do seu empenho no sentido de que a crise diplomática se resolva a curto prazo, se possível em outubro, durante a presidência portuguesa.

"Bem colocado"

"Portugal é um país que está bem colocado para gerir a crise, porque não tem qualquer dependência energética da à Rússia, nem qualquer conflito político com este país", disse à agência Lusa fonte da diplomacia portuguesa.

Por outro lado, para o governo português, já existem sinais de que o chefe de Estado russo não está interessado em extremar posições frente à União Européia e que, por outro lado, Bruxelas sabe que tem de continuar a lidar com a Rússia.

"A visita do primeiro-ministro à Rússia pode ser uma contribuição para ajudar a desanuviar o atual clima. Nesse sentido, a União Européia só tem a ganhar", frisou a mesma fonte.

Da parte diplomática portuguesa, salienta-se a "especial atenção" com que a parte russa preparou o programa da visita oficial do primeiro-ministro e que teve o gesto inédito de José Sócrates ter sido convidado por Putin para ficar instalado no Kremlin - honra que apenas é concedida a chefes de Estado.

Esses sinais, em conjunto, levam a diplomacia lusa a manifestar a convicção de que a Rússia deseja ter em Portugal uma ponte para desanuviar o ambiente com Bruxelas e, por essa via, chegar a prazo a um acordo global político com a União Européia.

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