Especialista defende lei portuguesa para energia no Brasil

Lisboa, 26 nov (Lusa) - O presidente do Instituto para o Desenvolvimento das Energias Alternativas na América Latina (IDEAAL), Mauro Passos, pretende promover investimentos nas energias solares e eólica no Brasil, ainda incipientes quando comparadas com a biomassa, faltando para tal, segundo ele, uma legislação como em Portugal ou Espanha.

O ex-deputado federal brasileiro deu conta das dificuldades que as energias solar e eólica enfrentam não só no Brasil como em toda América Latina, tendo para tal criado uma frente para as renováveis e lançado o projeto América do Sol.

O instituto a que preside já começou a trabalhar, mas Passos lembra que, se não houver uma legislação para o setor, "as coisas dificilmente vão acontecer", reportando-se à nova legislação portuguesa, que considera "muito pertinente" em matéria de renováveis, permitindo a cada um produzir a sua própria energia e depois vendê-la.

Falando na embaixada do Brasil em Lisboa, este especialista em recursos naturais e hidrologia, classificou as energias renováveis como projetos de longo prazo e registrou a "grande dificuldade de os parlamentos da América do Sul se envolverem em políticas de longo prazo".

"Os mandatos assentam numa lógica de políticas de curto prazo, obras visíveis, como pontes ou até barragens, e, por essa razão, as energias alternativas não criam sinergias, razão pelo qual criamos uma frente para as renováveis, com o apoio de 200 deputados", frisou.

O IDEAAL está a trabalhar no sentido de contornar um pouco "a cultura brasileira da burocracia", tendo já iniciado conversações com o governador da Bahia com vista à energia solar e eólica (onde uma empresa portuguesa se pretende estabelecer), lançando o projeto América do Sol que visa implementar 10 milhões de painéis solares na América do Sul, em termos de mini-produtores.

"É um novo conceito de produção energética, que vai criar emprego e tecnologia de ponta", adianta Mauro Passos, destacando o fato de na Europa haver no setor 500 mil empregos.

Os principais investidores deverão ser portugueses, espanhóis, alemães e dinamarqueses, acrescentou.

O especialista foca o caso da China, que em 2004 foi à Dinamarca e Alemanha comprar tecnologia para energia eólica e hoje, passados três anos, há 20 indústrias chinesas a produzirem geradores eólicos.

"As coisas têm sido lentas e, se a legislação chegar, será uma revolução na América latina. Pretendemos fazer o que Alemanha fez há 20 anos e, para isso, precisamos de formar na universidade uma geração", diz Mauro Passos.

Entre as iniciativas do IDEAAL está a instituição de um prêmio de pesquisa e desenvolvimento para estudantes universitários na área das energias renováveis, primeiro em 2008 a nível regional, em 2009 a nível nacional e em 2010 abrangente a todos os países do Mercosul.

Mauro Passos considera que "já passou a época da energia mais barata, que o petróleo não vai mais baixar o preço e que a Petrobras, para extrair petróleo a 4.000 metros de profundidade, anda a fazer pesquisas há mais de 20 anos e já está a ter dificuldades para o conseguir".

A energia convencional é uma curva de custos crescentes, enquanto que a energia alternativa é uma curva de custos decrescentes, adianta, apontando os anos de 2015 ou 2016 para que as renováveis entrem definitivamente no Brasil, "mas para tal tem de se começar a formar quadros".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos