Europeus desejam liderança para resolver questão de Kosovo

Bruxelas, 11 dez (Lusa) - Os líderes europeus que se reúnem sexta-feira, em Bruxelas, vão declarar que estão prontos para assumir um "papel de liderança" nos esforços para resolver o problema de Kosovo.

De acordo com o texto do "projeto de conclusões" do Conselho Europeu, a que a Agência Lusa teve acesso, os chefes de Estado e de governo da União Européia (UE) "lamentam profundamente" que sérvios e kosovares não tenham conseguido chegar a um acordo sobre o futuro do território.

"É muito natural que os chefes de Estado e de governo queiram trocar impressões sobre Kosovo", em especial sobre "o que a União Européia deve fazer" em relação a isso, disse nesta terça-feira, em Estrasburgo, o vice-ministro português das Relações Exteriores, Manuel Lobo Antunes.

Segundo o documento final do Conselho Europeu, os líderes europeus destacarão que a UE "continua disposta a ter um papel de liderança no reforço da estabilidade na região".

A questão do estatuto de Kosovo, uma das mais sensíveis do panorama político internacional, está em fase decisiva.

Na segunda-feira, trio mediador formado por Estados Unidos, União Européia e Rússia entregou à ONU o relatório das negociações fracassadas entre Belgrado e Pristina.

Apesar do insucesso, fontes diplomáticas consideram improvável que o Kosovo se declare independente sem o consentimento da Sérvia antes do final do ano.

Em 19 de dezembro, o estatuto do Kosovo deverá ser discutido no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Até lá, a UE deverá manter uma posição relativamente discreta.

A Presidência portuguesa do bloco tem tentado manter unidos os 27 Estados-membros da UE. Embora a maioria concorde com a independência do território, a pretensa unanimidade sofre a oposição de Chipre e reservas, pelo menos, da Espanha.

Para acalmar os ânimos dos que receiam que a independência da província possa ter "efeito cascata" e se espalhar para outras regiões, o documento do Conselho Europeu destaca que a solução de independência para Kosovo "constitui um caso único que não serve de precedente".

O texto de 25 páginas, que ainda pode sofrer alterações, aborda ainda outras questões européias que dominaram os debates dos 27 Estados-membros da UE durante a gestão da Presidência portuguesa do bloco.

Os líderes europeus reunidos no Conselho decidirão, formalmente, a partir de uma proposta da França, criar um "grupo de sábios" - que deve elaborar um relatório até 2010 refletindo sobre o futuro da UE e a questão da integração da Turquia.

Outro capítulo do documento de conclusões será dedicado à política européia de Liberdade, Segurança e Justiça, com destaque para a ampliação do direito de livre circulação a mais países da UE.

Os chefes de Estado e governo vão saudar ainda o desenvolvimento da sua política de migrações e sublinhar a importância da abertura de negociações com Cabo Verde e Moldávia para o estabelecimento de projetos de migração circular.

Os 27 Estados-membros da UE vão também aprovar a Declaração sobre a Mundialização (Globalização), que aponta os desafios globais que a UE terá de enfrentar nas áreas econômica, social, ambiental, de energia e de segurança.

"Nós pretendemos moldar a mundialização tendo em conta os interesses dos nossos cidadãos, com base nos nossos valores e princípios comuns", diz o texto da declaração anexa ao projeto de conclusões da gestão.

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