Problema dos deslocados de Timor segue em 2008, diz ONU

Dili, 17 jan (Lusa) - Os campos de deslocados em Dili podem continuar existindo em 2008, alertou nesta quinta-feira o responsável humanitário da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor Leste (Unmit), Finn Reske-Nielsen.

"Gostaria de dizer que os campos de deslocados vão desaparecer em 2008, mas não estou, neste momento, em condições de o afirmar", declarou Finn Reske-Nielsen aos jornalistas.

"O sucesso do esvaziamento dos campos terá de ser feito de acordo com procedimentos internacionais, incluindo o regresso voluntário" às comunidades de origem, explicou.

Finn Reske-Nielsen disse ainda que a resolução completa do problema dos deslocados "é uma questão de vários anos, a longo prazo".

Atualmente, há 53 campos de deslocados na capital timorense, com cerca de 30 mil pessoas, como resultado da crise política e militar de 2006.

No resto do país, há mais 70 mil deslocados, o que significa que um décimo da população timorense ainda não conseguiu regressar às suas casas.

"Para muitos deslocados, continua existindo um problema de segurança que impede seu regresso", relata Finn Reske-Nielsen.

A comunidade internacional, através da Unmit e de organizações humanitárias, contribuiu em 2007 com US$ 22 milhões para assistência aos deslocados, que incluiu alimentação, saúde, educação e segurança, revelou Finn Reske-Nielsen.

Recentemente, agências humanitárias distribuíram nos campos de Dili 1.800 barracas novas e 4.500 toldos para proteger os deslocados no período de chuvas.

Essas e outras ações, destacou Finn Reske-Nielsen, respondem à previsão de uma época de chuvas "que vai chegar mais cedo e vai durar mais tempo" do que o normal, sob influência do fenômeno meteorológico "La Niña".

O número dois da Unmit anunciou que, no final de janeiro, será cortada a distribuição de alimentos à parte das mais de 70 mil pessoas, só em Dili, que dependem atualmente da assistência internacional.

"A Unmit apóia a decisão do governo" nessa matéria, declarou.

Um estudo específico de uma agência das Nações Unidas revelou que cerca de metade dos beneficiários da ajuda alimentar não fazem parte do grupo dos mais carentes.

Por outro lado, o estudo revelou que cerca de 20% da população ameaçada de carência alimentar não está recebendo ajuda e que outros 20% estão em situação de risco, segundo Finn Reske-Nielsen.

A redução da ajuda alimentar em Dili será feita "para um regime de meia-ração durante um período limitado", explicou o representante da Unmit.

Finn Reske-Nielsen disse ainda que o apoio humanitário internacional não se limita aos campos de deslocados, exemplificando que 120 mil crianças timorenses, em 450 escolas primárias de todo o país, recebem uma refeição diária.

Essas e outras atividades "fazem parte de ações menos visíveis da ONU em Timor Leste", acrescentou.

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