Portugal é país de trânsito de terroristas, diz especialista

Lisboa, 24 jan (Lusa) - O vice-presidente do Observatório luso de Segurança, Crime Organizado e Terrorismo, José Manuel Anes, disse nesta quinta-feira que Portugal não é alvo de ataques terroristas, mas sim país de trânsito devido a sua proximidade com a Espanha e o Norte da África.

"Não devemos entrar em pânico, nem ter medo, mas realmente Portugal - devido à proximidade com Espanha e Norte da África - deve ter em conta as ameaças", uma vez que "somos um ponto de movimentação", afirmou José Manuel Anes à Agência Lusa.

O vice-presidente do Observatório de Segurança adiantou que Portugal é um local "de trânsito de apoio", para falsificação de documentos, descanso e movimentações financeiras.

José Manuel Anes disse ainda que os terroristas, quando se sentem perseguidos em outros países europeus, encontram em Portugal "um bom local" por ser "menos vigiado que Espanha, Argélia e França".

Anes afirmou que os terroristas entram no país via aérea e terrestre, mas há indicações de que, dentro da Europa, os deslocamentos sejam feitos essencialmente por carro.

Apesar de Portugal não ser alvo de ataques, o estudioso do terrorismo religioso considera que as ameaças devem ser levadas a sério, sendo necessária a troca de informações com outros países.

Para o vice-presidente do Observatório de Segurança, a Espanha e o Norte da África sofreram grandes mudanças e se tornaram locais perigosos, sobretudo no último ano.

Como exemplo, o especialista afirma que no Norte da África se assiste a um aumento dos ataques terroristas por parte da Al Qaeda, enquanto na Espanha aumentam as células oriundas do Magrebe.

O responsável destacou também que centenas de milhares de imigrantes paquistaneses estão na região espanhola da Catalunha, apesar de a comunidade não ser problema, uma vez que os terroristas já estariam identificados.

José Manuel Anes adiantou que o Observatório de Segurança tem informações de que "já estão identificados em Barcelona elementos operacionais que lutam pela independência da Caxemira".

"Na nossa vizinhança aumentaram os perigos" declarou o português, admitindo que "a situação não vai melhorar a curto prazo".

Portugal foi alertado recentemente, pelos serviços secretos espanhóis, para o risco de atentados terroristas durante a passagem pela Europa do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf.

Na seqüência do alerta, foi reforçada a vigilância nos aeroportos e fronteiras portuguesas.

"É fundamental começar a exercitar esta prevenção caso seja necessário", sublinhou José Anes.

Sobre os membros da Tabligh Jamaat, grupo islâmico pelo qual teriam entrado em Portugal dois supostos terroristas paquistaneses, o especialista disse que "não são radicais", nem "terroristas", uma vez que "rejeitam a violência".

No entanto, há infiltração de elementos terroristas na Tabligh Jamaat, segundo Anes, que acrescenta que "entre os muçulmanos, [os membros desse grupo] são os mais fundamentalistas, e há radicais que parasitam esta organização para encontrar apoio".

A Tabligh Jamaat estão estabelecidos em Portugal desde 1979.

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