Evolução da felicidade na vida tem forma de 'U', diz estudo

Lisboa, 29 jan (Lusa) - Um estudo envolvendo dois milhões de pessoas constatou um padrão mundial extraordinariamente consistente nos níveis de depressão e felicidade, que torna a meia-idade o período mais problemático da vida.

O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de Warwick e do Dartmouth College, nos Estados Unidos, com o título "Terá o bem estar a forma de U no ciclo da vida?", será em breve publicado na revista Social Science & Medicine, a publicação de ciências sociais mais citada de todo o mundo.

Os cientistas constataram que os níveis de felicidade têm a forma curva de um U, com picos no início e no final da vida e seu ponto mais baixo na meia-idade. Muitos estudos anteriores sugeriam que o bem estar psicológico se mantinha relativamente estável com o avançar da idade.

Com base em uma amostra de um milhão de pessoas no Reino Unido, os pesquisadores concluíram que os picos de depressão são mais prováveis por volta dos 44 anos, tanto nos homens, como nas mulheres. Nos Estados Unidos, encontraram uma diferença significativa nos dois gêneros, com a infelicidade atingindo seu ápice por volta dos 40 anos nas mulheres e 50 nos homens.

Em um total de 72 países em todos os continentes, o estudo constatou a mesma forma de U nos níveis de felicidade e satisfação com a vida por idade.

Os dois autores, ambos economistas - os professores Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, e David Blanchflower, do Dartmouth College - consideram que o efeito da curva em U tem origem no interior dos seres humanos, já que encontraram sinais de depressão no meio da vida em todos os gêneros de pessoas, independentemente de terem crianças em casa, divórcios, mudanças de emprego e rendimento.

"Algumas pessoas sofrem mais do que outras, mas os nossos dados indicam que o efeito médio é muito amplo. Acontece tanto a mulheres como a homens, ricos e pobres, com ou sem filhos", afirma Andrew Oswald, citado no site de informações científicas AlphaGalileo. "Ninguém sabe a causa desta consistência", referiu.

"Só quando chega à casa dos 50" - acrescentou - "é que a maioria das pessoas deixa de ser suscetível à depressão. Mais tarde, aos 70, caso se mantenham fisicamente em forma, as pessoas, em média, podem sentir-se tão felizes e mentalmente sãs como aos 20 anos".

O estudo analisou informações sobre uma amostra aleatória de 500 mil norte-americanos e europeus ocidentais por meio do Inquérito Social Geral, dos Estados Unidos, e do Eurobarômetro. Os autores analisaram, também, os níveis de saúde mental de 16 mil europeus, os níveis de depressão e ansiedade em uma ampla amostra de cidadãos britânicos e dados do World Values Survey, que contém registros de pessoas de 80 países.

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