Na Espanha, campanha eleitoral começa com país dividido

Por António Sampaio, da Agência Lusa

Madri, 22 fev (Lusa) - A campanha para as eleições do próximo dia 9 de março, na Espanha, começou oficialmente nesta sexta-feira, mas quem analisar os últimos meses de debates políticos pode pensar que ela já acontece desde o final do ano passado.

Todas as forças políticas do país, com destaque para os dois maiores partidos - PSOE (no governo) e PP (na oposição) - já anunciaram grande parte de suas longas listas de promessas eleitorais, lutando pela atenção de um eleitorado de cuja mobilização depende o resultado eleitoral.

Esse fator é especialmente importante para o PSOE, segundo as análises eleitorais, já que os militantes do PP se mostram mais fiéis e com menos tendência à abstenção. Além disso, há mais opções de votos na centro-esquerda e na esquerda do que no centro-direita e direita.

Os maiores partidos espanhóis já anunciaram, entre suas promessas, mais empregos, melhores salários, menos impostos, mais medidas sociais e reformas econômicas.

Além disso, houve garantias de mais vagas em creches, dentistas grátis, óculos grátis, melhores condições laborais para as mulheres, reforma da lei de aborto, 500 milhões de novas árvores plantadas em quatro anos e uma devolução de 400 euros a cada contribuinte.

São propostas avulsas que se sucederam dia após dia nas últimas semanas, e a que se somam outras de maior polêmica, como a abolição da Concordata com a Santa Sé e um "contrato de integração" para os imigrantes.

A campanha começa em um momento em que a distância que separa os dois partidos é a menor de toda a legislatura, com algumas pesquisas apontando para uma vantagem de apenas 1,5 ponto porcentual para os socialistas.

Analistas sugerem que essa vantagem mínima reforça o papel que outras forças políticas terão em um parlamento bastante dividido, com especial destaque para as forças nacionalistas bascas, catalãs e galegas, que já anunciaram um pacto pós-eleitoral.

Da Calle Génova, sede do PP, e da Calle Ferraz, sede do PSOE, as declarações são de confiança, mas privativamente, líderes dos dois partidos admitem dificuldades.

O eleitorado é mais velho, há sinais de recessão econômica - ainda que o crescimento seja duas vezes o da zona do euro - e receios sobre questões como desemprego e inflação, o que nunca favorece o governo.

Na mente de todos continua também a ameaça sempre presente do terrorismo, quer do ETA - hoje mais fragilizado do que nunca -, quer do terrorismo islâmico, apesar da desarticulação recente de células mais radicais.

A questão do ETA foi claramente um dos temas que mais marcou a legislatura, com posições fortemente críticas do PP à política antiterrorista do governo, que incluíram manifestações contra o Executivo, com movimentos sociais mais radicais e a Igreja Católica.

Todos estes temas fazem uma campanha política que deverá ser intensa. Os líderes se multiplicarão em comícios por todo o país, com encerramentos, na maioria dos casos, previstos para Madri, no dia 7 de março.

As últimas sondagens poderão ser divulgadas, no máximo, no dia 4, logo após o segundo dos dois debates históricos entre José Luís Rodríguez Zapatero, líder do PSOE, e Mariano Rajoy, líder do PP.

Os debates demoraram meses para serem combinados e são os primeiros entre líderes dos dois partidos em 15 anos.

De fora dessa grande atenção midiática, estão os demais partidos, que já se queixaram de discriminação no tratamento do espaço eleitoral.

No entanto, com sinais de fortalecimento de apoio em muitos casos, são esses partidos de menor expressão que podem ser determinantes, como foram na legislatura que terminou.

A campanha acaba em 7 de março, sexta-feira, sendo sábado o dia de reflexão antes das eleições, na qual poderão ir às urnas 33,87 milhões de eleitores, que podem escolher entre quase uma centena de partidos que concorrem a vagas no congresso.

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