Navio com armas para o Zimbábue está voltando, diz China

Pequim, 24 abr (Lusa) ? O navio chinês alvo de críticas internacionais por tentar levar armamento ao Zimbábue através de Angola iniciou retorno à China, disse nesta quinta-feira a porta-voz diplomática chinesa.

"Ao que sei, a empresa transportadora chinesa decidiu fazer regressar o navio", afirmou hoje a porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Jiang Yu, em entrevista coletiva.

Entretanto, em Angola, o presidente do Conselho de Coordenação dos Direitos Humanos (CCDH) do país, David Mendes, considerou existirem informações "relevantes" de que o navio que transporta o armamento está a caminho de um porto angolano para descarregar, algo que Pequim desmentiu hoje.

"A mercadoria não foi descarregada porque o Zimbábue não recebeu os bens na data prevista, e a empresa chinesa decidiu fazer regressar o navio de acordo com isso", disse a porta-voz chinesa.

O comentário de Jiang Yu segue-se ao pedido dos Estados Unidos para que a China não entregue as armas ao Zimbábue e para que defina normas a futuras exportações de armamento para o país africano, que vive momentos de tensão política uma vez que a comissão eleitoral do país ainda não divulgou os resultados das eleições presidenciais de 29 de março.

Mas Jiang Yu insistiu na posição chinesa de que a venda do armamento a bordo do navio An Yue Jiang é uma transação legal e que é conseqüência de um contrato assinado em 2007, antes da atual crise.

"Algumas pessoas nos Estados Unidos estão sempre a criticar e a arvorar-se em polícias do mundo, mas as suas posições não são populares", disse a porta-voz, comentando o pedido do Departamento de Estado norte-americano para que a China suspenda as venda de armas ao Zimbábue.

Segundo notícias na imprensa internacional, Washington pediu também a Angola, a Moçambique e à Namíbia para não deixarem descarregar o An Yue Jiang, propriedade da empresa estatal chinesa de transporte marítimo COSCO.

O CCDH de Angola recorreu na quarta-feira a uma providência cautelar junto do Tribunal Marítimo de Luanda para impedir a descarga do armamento em portos angolanos, no mesmo dia em que a Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes afirmou que o navio chinês poderá estar navegando para o porto angolano do Lobito (Benguela).

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal sul-africano de Durban recusou autorização para que o armamento fosse transportado através da África do Sul para o Zimbábue, que não tem acesso ao mar.

Segundo um levantamento divulgado pela imprensa sul-africana, o An Yue Jiang transporta seis contêineres que contêm três milhões de munições para as espingardas automáticas AK-47, 1.500 RPG (morteiros com auto-propulsão) e mais de três mil granadas.

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