Mugabe é refém de ex-combatentes, diz político africano

Cidade da Praia, 3 jun (Lusa) - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, é refém dos antigos combatentes e da polícia que criou, defende o deputado cabo-verdiano João Medina, que participou de uma missão da União Africana (UA) no país.

Para o deputado, que falou à Agência Lusa na Cidade da Praia, capital de Cabo Verde, a União Africana hesitou em fazer uma condenação forte à situação no Zimbábue porque abriga alguns países também governados por ditadores.

A missão da UA, composta por 56 pessoas, 40 delas políticos, ficou por mais de duas semanas no Zimbábue, mantendo encontros com forças políticas, embaixadores, organismos governamentais e civis, além do presidente Robert Mugabe, líder da Zanu-PF, e Morgan Tsvangirai dirigente do partido de oposição MDC.

Mugabe, 84 anos, 28 dos quais no poder, foi declarado vencedor do segundo turno das eleições presidenciais no domingo, tendo disputado sem opositor após a desistência de Tsvangirai, que justificou sua saída com a crescente onda de violência e intimidação do governo contra a oposição.

João Medina explica que a missão da UA era fazer o diagnóstico da situação no país e acompanhar a votação. Por considerar que as eleições não eram "credíveis e transparentes", João Medina deixou o país um dia antes "por não poder acompanhar um processo com o qual não concordava".

Apesar de criticar a "insistência, a teimosia e a obsessão" de Robert Mugabe em se manter no poder, o deputado cabo-verdiano considera que o presidente "é um bode expiatório" de um regime dominado pelos antigos combatentes.

Frisando não ter dúvidas de que as eleições foram "uma farsa", João Medina, ex-responsável da Organização Mundial de Saúde na África e ex-ministro da Saúde de Cabo Verde, lamenta "algumas hesitações da UA", e o comedimento de alguns líderes na condenação a Mugabe, porque eles próprios são "uns ditadores".

"A UA tem que estar atenta ao que vai se passar [no Zimbábue] e sua posição tem de ser seguida e respeitada", frisa João Medina, destacando como especialmente importantes as opiniões dos países vizinhos, como África do Sul, Moçambique, Maláui, Botsuana e Zâmbia.

Lembrando que o Zimbábue já foi um país próspero, o deputado garante que o potencial existe e que o povo, com um nível de escolaridade elevado e um grande sentimento cívico, é quem vai iniciar um movimento de mudança de regime.

O deputado cabo-verdiano garante que Harare, a capital do Zimbábue, continua sendo uma cidade cosmopolita e diz acreditar que a situação política no país "será facilmente reversível".

Ainda que "a co-habitação seja difícil", João Medina acredita que pode ser criado "um governo de reconciliação nacional" que, durante cerca de dois anos, pacificaria o país.

Entretanto, o opositor Morgan Tsvangirai já afirmou que não aceita integrar um governo de unidade nacional.

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