Vontade política é essencial para CPLP, diz secretário

Lisboa, 16 jul - O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o cabo-verdiano Luís Fonseca, defendeu nesta quarta-feira que a vontade política dos países-membros é essencial para "acelerar o passo" da organização, em especial na promoção do idioma, tema da próxima reunião de cúpula.

Em entrevista à Agência Lusa por ocasião da realização da cúpula de chefes de Estado e de governo da CPLP, em 24 e 25 de julho, em Lisboa, o embaixador Luís Fonseca chama a atenção para a necessidade de um maior envolvimento dos Estados e da inclusão da agenda da CPLP em suas políticas internas.

Entre as prioridades, o embaixador destaca a promoção e divulgação da língua portuguesa, um dos pilares da organização criada em 1996. Em particular, Fonseca cita a necessidade de dar mais importância ao Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), criado com esse fim, mas que não tem funcionado por falta de verbas e de atribuição de tarefas.

"Não lhe tem sido atribuído [ao IILP] um papel efetivo nas políticas de língua dos Estados-membros. Não lhe tem sido dada suficiente importância e não foram disponibilizados meios suficientes para que o instituto possa cumprir a missão para que foi criado", diz.

"Espero que os governos definam [na cúpula da CPLP] qual é o papel específico do IILP nessas políticas. Por exemplo, se na preparação dos professores terá algum papel, ou na preparação dos tradutores e intérpretes", afirma.

O responsável considera que o acordo ortográfico - já ratificado por Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde - pode, "sem dúvida, facilitar a divulgação do português".

"Pode facilitar a própria circulação dos livros, das produções literárias, o que pode ser um incentivo a um melhor funcionamento do IILP, mas o ressuscitar do instituto será atribuir-lhe um papel sem o qual ele não terá razão de existir", considera.

Luís Fonseca sublinha que a CPLP é uma organização "ainda em construção", mas reconhece que uma maior vontade política dos Estados-membros poderia "acelerar o passo" da integração.

O embaixador considera que a comunidade está indo "devagar" devido às diferenças no estágio de desenvolvimento dos países que a integram.

"Seis [Estados] são países em desenvolvimento e as instituições, por vezes, demoram a dar resposta às decisões que são tomadas", diz.

"Acho que, à medida que os países forem se desenvolvendo, a construção da CPLP vai acelerar a vontade política", afirma, ponderando quem, para isso, é preciso "insistência para se avançar".

Para Luís Fonseca, o maior mérito da CPLP foi "aproximar" os países de língua portuguesa e a "possibilidade de garantir recursos importantes para os países em desenvolvimento".

"É uma instituição que merece crédito e que vai continuar se desenvolvendo e se afirmando", considera.

Sobre o fato de os países de língua portuguesa estarem dispersos por quatro continentes, o embaixador diz que isso tem vantagens e desvantagens: "a distância reduz as possibilidades de comércio, mas permite uma maior expansão da influência da CPLP no mundo".

Deixando o cargo após quatro anos de mandato, Luís Fonseca lamenta não ter conseguido criar um órgão de difusão - "rádio ou televisão" - da CPLP, um "meio eficaz de difundir as realidades dos países".

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