China demonstra preocupação com veto à mídia internacional

Pequim, 13 ago (Lusa) ? O governo chinês demonstrou nesta quarta-feira preocupação com a ação das autoridades policiais que impediram jornalistas estrangeiros de fazer a cobertura sobre os ataques com explosivos na região de Xinjiang.

"Alguns jornalistas japoneses foram impedidos de trabalhar pela polícia local e nós estamos muito preocupados com essa situação", afirmou aos jornalistas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Qin Gang, referindo-se ao caso de jornalistas japoneses que foram detidos na cidade de Kuqa, na província de Xinjiang, no noroeste do país, quando tentaram entrevistar cidadãos locais sobre os ataques que mataram 12 pessoas no domingo.

De acordo com um jornalista da Jiji Press, a polícia o deteve, assim como a seu colega, durante duas horas em Kuqa, e as fotografias foram apagadas do computador. "Contatamos as autoridades oficiais e durante dois dias temos estado a verificar essa situação", relata Qin.

No ano passado, a China prometeu liberdade de imprensa total para os jornalistas estrangeiros que estivessem cobrindo os Jogos Olímpicos e disse que os profissionais poderiam viajar pelo país e entrevistar pessoas sem ter que pedir autorização oficial.

A imprensa estrangeira, porém, tem encontrado um conjunto de obstáculos ao seu trabalho, sobretudo na região do Tibete e em Xinjiang, província habitada por uma maioria muçulmana em que, segundo as autoridades chinesas, há terroristas com planos para prejudicar os Jogos.

Mesmo em Pequim, alguns jornalistas estrangeiros são impedidos de fazer o seu trabalho. Um jornalista inglês foi detido hoje pela polícia enquanto tentava fazer a cobertura de um protesto pró-Tibete perto da Vila Olímpica.

Qin Gang relatou que a polícia de Kuqa tinha o direito de tomar medidas frente as circunstâncias de possíveis ataques terroristas. "Esperamos que, enquanto os jornalistas estão trabalhando, possam respeitar as leis e regulamentos chineses, assim como as autoridades chinesas, para não perturbar o seu trabalho", explicou.

Xinjiang, a vasta área na fronteira com a Ásia Central habitada por 8,3 milhões de pessoas de etnia uigur, muçulmana que conta com movimentos separatistas, tem sido palco de vários ataques nas últimas semanas.

Dois supostos militantes muçulmanos atacaram um posto policial com facas e explosivos em Kashgar no dia 4 de agosto, matando 16 pessoas e ferindo outras 16. No domingo, bombas colocadas em edifícios governamentais e supermercados de Kuqa, causaram 12 mortos.

No último incidente, três policiais foram assassinados, esfaqueados num posto fronteiriço.

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