Timor diz que já reinseriu seis mil famílias de deslocados

Dili, 2 set (Lusa) - Quase seis mil famílias timorenses, de 29 campos de deslocados, receberam apoio para regressar a suas comunidades de origem, afirmou nesta terça-feira à Agência Lusa a ministra da Solidariedade Social do Timor Leste, Maria Domingas Alves.

Vinte e dois campos de deslocados, quase todos na capital Dili, foram fechados nos últimos meses, incluindo alguns dos mais sensíveis, como os do Hospital Nacional Guido Valadares, do Jardim Nicolau Lobato e do Aeroporto.

A crise política e militar de 2006 deixou mais de cem mil deslocados internos no Timor Leste, o equivalente a cerca de um décimo da população, afetando, em particular, a capital.

Maria Domingas Alves afirmou à Lusa que o governo timorense gastou, até agora, US$ 12,9 milhões nos pacotes de recuperação das casas destruídas na crise e na reintegração dos deslocados, tendo sido beneficiadas 5.963 famílias.

A ministra considerou que o êxito do encerramento dos campos, "sem incidentes graves até agora", tem origem numa "metodologia de envolvimento dos deslocados".

O programa "Hamutuk Hari'i Futuru" (Juntos, Construindo o Futuro) apóia o regresso dos deslocados às comunidades onde viviam antes de 2006, seguindo as linhas da Estratégia de Recuperação Nacional, definida no final de 2007 pelo atual governo e pelos parceiros internacionais.

A construção ou recuperação de casas é apenas um dos pilares da estratégia, sublinhou a ministra. Outros pontos do programa são a criação de confiança (entre os próprios deslocados, com as comunidades de origem e com as autoridades), a proteção e garantia de assistência (alimentar e de saúde), a estabilidade social e o apoio às comunidades de acolhimento dos deslocados (através de mecanismos como a concessão de microcrédito).

A estratégia de recuperação do Timor Leste envolve os ministérios da Solidariedade Social, da Economia e Desenvolvimento, da Justiça, da Infra-estrutura e as secretarias da Segurança, da Defesa, da Cultura e da Juventude.

Maria Domingas Alves reconheceu que a resolução do problema dos deslocados depende de decisões e da colaboração de outros ministérios, que nem sempre chega ou "é muito lenta".

Entre as dificuldades encontradas, Maria Domingas Alves cita problemas para assentar deslocados que não podem regressar às origens e a construção de infra-estrutura.

Além dos deslocados da capital, a Estratégia de Recuperação Nacional já apoiou o regresso de famílias em Baucau e Ermera, além de auxiliar e indenizar afetados pela onda violência de 2007 no leste do país.

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