Portugal ganha popularidade entre detidos em Guantánamo

Londres, 16 dez (Lusa) - Portugal passou a ser um país muito popular entre os detidos de Guantánamo desde que o ministro luso das Relações Exteriores, Luís Amado, anunciou a disponibilidade de receber alguns presos.

"Todos com quem falamos [da oferta do governo português] ficaram contentes com a idéia", disse o advogado Clive Smith, diretor da organização de defesa de direitos humanos Reprieve e defensor jurídico de 30 detidos.

"Portugal é um lugar muito popular em Guantánamo nesta altura", disse, em entrevista por e-mail a partir de Washington.

Luís Amado divulgou a disponibilidade de Portugal para acolher detidos de Guantánamo em 10 de dezembro, numa carta enviada aos chanceleres da União Européia, em relação ao 60º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos.

Smith disse à Agência Lusa ter discutido a possibilidade com todos os seus clientes, que "não querem outra coisa senão sair dali e ir para Portugal".

Um exemplo é o palestino Ayman al Shurafa, de 33 anos, que não teve autorização para retornar à Arábia Saudita, onde nasceu e cresceu, por não ter a nacionalidade saudita.

A solução, de acordo com o diretor da Reprieve, seria ir para os territórios palestinos "se Israel deixasse". "Ele já teria sido libertado se não fosse isso", disse Clive Smith.

O desafio é fazer com que outros países sigam a posição portuguesa, em especial o Reino Unido e Itália, que "deviam receber as pessoas que viviam ali como residentes", incluindo três argelinos no Reino Unido e oito tunisianos na Itália.

Clive Smith considerou que há 60 casos difíceis, depois de excluir dos atuais 250 detidos, os cerca de 40 que estima que serão julgados nos Estados Unidos e os 150 que deverão voltar para casa.

"Se Portugal ajudar nisto, iniciará uma relação muito positiva com a administração [do presidente eleito dos EUA, Barack] Obama, além de ser um ótimo exemplo para o mundo islâmico, e onde Portugal será muito mais popular também", disse.

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