Angola ainda é país lusófono menos livre, diz pesquisa

Lisboa, 12 jan (Lusa) - Angola continua sendo o país lusófono onde são menores os direitos políticos e liberdade cívica dos cidadãos, apesar das eleições legislativas de 2008 terem criado uma tendência positiva, afirma a organização não-governamental Freedom House.

No ranking "Liberdade no mundo em 2009", Angola é o único país lusófono enquadrado na categoria dos "não livres", onde estão 42 dos 193 países incluídos no estudo sobre as liberdades cívicas a nível global.

As categorias que incluem mais países lusófonos são as de "parcialmente livres" - Guiné-Bissau, Timor Leste e Moçambique - e livres - Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

"Angola recebeu uma seta de tendência de alta por ter realizado as eleições legislativas há muito adiadas, que foram consideradas dignas de crédito apesar de algumas irregularidades", diz a Freedom House, que tem sede em Washington.

A evolução angolana contrariou a tendência de declínio na região da África subsaariana, onde se destacaram negativamente Senegal e Mauritânia, mas também Burundi, Camarões, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Gâmbia, Guiné-Conacri, Namíbia, Nigéria, Zimbábue e o território da Somalilândia.

"Depois de vários anos de ganhos modestos, a África subsaariana registrou um ano de reveses substanciais para a democracia. O declínio afetou alguns dos maiores e mais influentes países do continente e resultou em parte de golpes militares, conflitos étnicos e tentativas violentas de suprimir a sociedade civil", afirma o estudo. Pesquisa

Ao todo, foram 12 os países africanos, um quarto do total, que inverteram a marcha democrática nos seus países, e no resto do mundo o cenário não foi diferente, segundo a Freedom House.

"A melhoria das liberdades na Ásia foi um raro ponto positivo num ano que foi marcado por reveses e estagnação", afirma o diretor de pesquisa da organização não-governamental, Arch Puddington.

Criada em 1972, a Freedom House se dedica a atividades de apoio à expansão das liberdades a nível mundial, e monitora a evolução dos direitos políticos e liberdades cívicas.

A pontuação é atribuída através de um processo de análise e avaliação conduzido por especialistas da ONG, consultores regionais e acadêmicos.

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