Acordo russo-ucraniano ainda não é claro, diz especialista

Kiev, 18 jan (Lusa) - O conteúdo do acordo russo-ucraniano sobre o preço do gás russo para a Ucrânia, assim como o preço desse combustível, ainda não é suficientemente claro para que se possam tirar conclusões precisas, declarou à Agência Lusa o economista Alexandre Paskhaver, ex-conselheiro do presidente ucraniano, Viktor Yushchenko. Fasfa

"Ainda não sabemos pormenores para tirar conclusões. Se o preço europeu de US$ 470 por mil metros cúbicos de gás for apenas válido para o primeiro trimestre de 2009, pode-se falar em vitória da Ucrânia, pois no trimestre seguinte, ele será três vezes mais baixo", explicou o economista.

"Mas se esse preço for para o ano inteiro, claro que isso será uma pesada derrota para a Ucrânia", acrescentou Paskhaver.

As agências russas não esclarecem esta questão quando citam as condições do acordo alcançado pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e pela premiê ucraniana, Yulia Tymoshenko.

"Chegamos a um acordo que determina que, em 2009, a parte ucraniana terá um desconto de 20% na compra de gás russo se conservar a tarifa favorável para o trânsito do gás através da Ucrânia em 2008", disse Putin, segundo a agência noticiosa russa Ria-Novosti.

"Desse modo, a Ucrânia poderá comprar gás à Rússia em 2009 a menos 20% do que preço europeu. No primeiro trimestre de 2009, os países europeus vizinhos da Ucrânia irão pagar US$ 470 por mil metros cúbicos. Em 2008, a Ucrânia comprava o gás a US$ 179,5 por mil metros cúbicos", noticia a Ria-Novosti.

Disputa

No segundo trimestre de 2009, a Hungria, República Tcheca e outros países do Leste Europeu vão receber gás russo a menos de US$ 250 por mil metros cúbicos, pois o preço do combustível também está em queda, assim como o petróleo.

Porém, outros veículos da mídia russa interpretam que o preço de US$ 470 poderá se manter durante todo o ano.

"A parte ucraniana, que tentou conseguir um preço mais baixo para o gás, não tem razões para alegria. Talvez isso possa explicar o ar um tanto deprimido de Yulia Tymoshenko, que falou depois de Putin na entrevista coletiva", disse a rádio Eco de Moscou.

O economista ucraniano chamou também a atenção para o fato de existirem "parágrafos secretos" no acordo russo-ucraniano.

"Nunca houve nenhum acordo russo-ucraniano sem parágrafos secretos. O último não é exceção e seria bom conhecê-los", sublinhou Alexandre Paskhaver, e acrescentou que "não se pode excluir que a Rússia tenha prometido a Tymoshenko apoio nas eleições presidenciais ou na reunião de forças com vista a afastar o presidente Yushchenko do seu cargo".

Vadim Karassiov, atual conselheiro de Viktor Yushchenko, disse à Lusa que o acordo russo-ucraniano poderá reforçar as posições de Tymoshenko no país.

"Se o acordo prevê realmente preços favoráveis à Ucrânia, Tymoshenko verá reforçadas as suas posições políticas, pois será vista pelo eleitorado ucraniano, e até pela Europa, como uma dirigente que consegue dialogar com a Rússia, desbloquear situações complicadas", considerou.

"Yushchenko não deverá perder nem ganhar, pois tomou uma posição solidária com Tymoshenko", acrescentou Karassiov. "Viktor Yanukovitch (líder do partido da oposição Regiões da Ucrânia) sai claramente derrotado, pois estava à espera que não houvesse acordo para acusar os dirigentes ucranianos de incompetência", concluiu.

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