Crise ajudará Portugal a cumprir Kyoto, afirma especialista

Lisboa, 7 abr (Lusa) - A crise econômica vai ajudar no cumprimento das metas do Protocolo de Kyoto, considera um especialista em alterações climáticas, frisando que Portugal está aquém dos objetivos de emissões de gases com efeito de estufa na área dos transportes e da eficiência energética.

"Com esta crise econômica é provável que as emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) caiam muito na Europa. Provavelmente, vamos atingir os objetivos de Kyoto antes de 2012, mas pelas piores razões: porque há crise econômica, há pessoas desempregadas, há empresas que fecham", disse à Lusa Viriato Soromenho-Marques, conselheiro de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, para a área da Energia e Alterações Climáticas.

Mesmo que Portugal tenha de comprar direitos de emissões, "atualmente, o preço da tonelada de carbono é muito baixo, por isso, é possível que se cumpra Quioto sem grandes custos, mas não há razões para estarmos muito contentes", acrescentou.

O ex-presidente da associação ambientalista Quercus e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa assinala que, se por um lado, foi feito um "grande esforço" na produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, em outros setores, como a eficiência energética nos edifícios e os transportes, "a coisa correu muito mal".

"Temos cerca de 700 quilômetros de auto-estradas a mais, não há pessoas que as utilizem, isto é uma notícia escandalosa. No fundo, continuamos a ter uma estrutura de transportes baseada no automóvel particular, o que é um disparate", frisou.

Já o coordenador da Comissão para as Alterações Climáticas, Nuno Lacasta, disse que a estimativa do déficit, em termos do cumprimento das metas de Kyoto, se mantém idêntica à do início de 2007, ou seja, 14,4 milhões de toneladas de emissões de GEE acima do objetivo, incluindo todas as medidas previstas no Programa Nacional de Alterações Climáticas e no Plano Nacional de Alocação de Licenças de Emissão para 2008-2012 (PNALE II).

"É esta a meta de aquisição do Fundo Português de Carbono", frisou.

No âmbito deste tratado internacional, Portugal pode aumentar as suas emissões até 27% em relação ao ano de referência de 1990, no período de cumprimento do protocolo (2008-2012).

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